Fórum Cético
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: Curandeiro acusado de homicídio.  ( 1357 )
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Sim, sou cética!


« : 13/05/07 - 13:36:13 »

 Portugal 2007-05-13

Mezinhas fatais (1998)

Curandeiro do Pico acusado de homicídios

Zulmira, já em adiantado estado de gravidez, ouvia o bebé chorar. Tinha a certeza, pelo tom dos gemidos, de que era um rapaz que estava para nascer. O estranho caso do choro intra-uterino, confirmado por vizinhas do remoto lugar de Ribeirinha, na Ilha do Pico, era um sinal divino. Segundo a tradição açoriana, um bebé que chora no ventre materno terá em adulto o poder de curar todas as doenças – mas o curandeiro só pode exercer o dom depois de a mulher que lhe deu vida ter descido à cova.

O milagre de o menino Dinis nascer com o dom da cura até nem causou grande assombro na ilha. O pai, Miguel dos Santos Pimentel, também berrara como um desalmado na barriga da mãe – e quando o filho veio ao mundo já a sua fama de curandeiro ultrapassara o arquipélago: emigrantes açorianos nos Estados Unidos da América e no Canadá, uns desenganados pelos médicos, outros com pouca fé na ciência, procuravam conforto nas artes do senhor Miguel, o curandeiro da Ilha do Pico.

Quando Zulmira morreu, Dinis, que já tinha aprendido os segredos de algumas mezinhas com o progenitor, pôde finalmente exercer o mistério da cura. A população dos Açores agradeceu. O pai Miguel emigrara para os Estados Unidos, ainda antes do 25 de Abril, e o arquipélago estava há quase quatro anos sem curandeiro. Agora, em 1978, enterrada Zulmira, nada impedia Dinis de pôr em prática o dom com que nascera. O curandeiro começou a dar consultas aos 35 anos – e clientela não lhe faltava muito à custa da fama herdada.

Dinis, além da divina graça que lhe permitia adivinhar a maleita só de olhar para o doente, herdou do pai duas receitas para pomadas – uma esverdeada, que causava feridas profundas, e uma outra, amarelada, que ajudava a cicatrizar as chagas.

O que ele mais curava era cancer – o “bicho”, como dizia. Aplicava a pomada verde, corrosiva, na zona do corpo onde estava o “bicho”. Os doentes chegavam-lhe de todo o arquipélago – e ainda dos Estados Unidos e do Canadá. Desembarcavam às dezenas, todos os dias, no pequeno portinho do Pico que servia o barco da carreira – e lá iam para a pequena casa do curandeiro encavalitada numa arriba sobre o mar.

Mas o “bicho”, que era “teimoso”, tinha que ser extirpado. A pomada verde, que servia para abrir uma ferida profunda, permitia a Dinis arrancar o mal com bisturis que o curandeiro fabricava a partir de canas. Depois de extirpado o “bicho”, a ferida era tratada com uma gordura de cor amarelada. Os doentes traziam uma “água” nauseabunda que ele aconselhava para “limpeza do sangue”: cada garrafão de cinco litros custava cinco contos.

O pai, Miguel, é assassinado nos Estados Unidos, em 1984. Não teve tempo para ensinar ao filho a milagrosa receita que entretanto tinha descoberto para curar a aids. O segredo perdeu-se para sempre.

Dinis foi curandeiro durante 20 anos – até que, em finais de Outubro de 1998, os Açores ficaram a saber que só numa semana morreram oito doentes que estavam a ser tratados pelo curandeiro do Pico. Só então as autoridades agiram alarmadas.

A primeira vítima foi Paulina Bettencourt, de 61 anos, que regressara à sua Ilha de São Jorge após uma vida de trabalho na América. Sofria de diabetes e de problemas de circulação que lhe causavam dores insuportáveis nas pernas. Decidiu consultar o curandeiro do Pico. Morreu duas semanas depois do tratamento com as pomadas. A autópsia revelou a causa da morte: fibrose pulmonar, um ‘encortiçamento’ dos pulmões que os médicos sabem que está associado à ingestão de paraquato, um produto químico comercializado como herbicida com o nome de Gramoxon. As outras sete mortes, de acordo com os resultados das autópsias, estavam associadas ao letal paraquato – e as oito vítimas tinham em comum as mezinhas do curandeiro do Pico.

Os centros de saúde dos Açores foram colocados de sobreaviso – e os médicos com indicações para estarem atentos aos mais pequenos sinais de passagem dos doentes pelas mãos de Dinis. As autoridades temiam mais mortes provocadas pelas pomadas. Centenas de doentes foram submetidos a análises clínicas – até que os médicos afastaram a hipótese de mais vítimas retardadas.

Mas, ainda hoje, não se sabe quantas mortes ele terá provocado ao longo de 20 anos. As autoridades só agiram quando morreram oito pessoas em apenas uma semana.


AGRICULTOR

- Dinis Pimentel cumpriu a pena de prisão nos Açores.

- Saiu em liberdade condicional em meados de 2004, após ter cumprido metade da pena a que fora condenado.

- Quando saiu da cadeia, voltou a casa, na povoação de Ribeirinha, na Ilha do Pico.

- Dinis nunca mais exerceu a actividade de curandeiro – pelo menos que as autoridades saibam.

- A pena de 15 anos a que foi condenado só se extingue em finais de 2011, contado o tempo em que esteve em prisão preventiva até ao julgamento.

- O curandeiro dedica-se agora à agricultura.


Fonte: http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=242191&idselect=199&idCanal=199&p=200

Fiquei com pena mesmo foi do pai dele ter sido assassinado antes dele poder revelar a cura da AIDS.......... 

« : 13/05/07 - 13:37:16 Ema »

Ema
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Deus está morto;matou-o sua compaixão pelos homens


« #1 : 27/05/07 - 13:58:43 »

Que história fantástica!!! A credulidade humana não mais deveria nos deixar pasmos, mas deixa. O ator principal talvez seja bem intencionado, parece ser mais um misto de ignorância e esperteza.
Ema
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Sim, sou cética!


« #2 : 28/05/07 - 14:19:49 »

Que história fantástica!!! A credulidade humana não mais deveria nos deixar pasmos, mas deixa. O ator principal talvez seja bem intencionado, parece ser mais um misto de ignorância e esperteza.

É, eu também acho que o filho, pelo menos era bem intencionado, afinal já nasceu ouvindo que era milagreiro e quem sabe acreditou piamente nisso. 

Ema
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Eu comi o Espírito Santo.


« #3 : 21/06/07 - 07:37:44 »

Enfim... tem gente pra tudo mesmo...

Se algum dia sentires um vazio dentro de ti, vai comer que é fome.
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