Fórum Cético
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: Teste seu raciocínio: http://www.ceticismo.org/forum/index.php/topic,386.0.html
 
      
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MarceloEyer
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« : 16/03/07 - 18:32:10 »

Participantes: Zé Eduardo e Giancarlo Kind Schmid
Mediador: Marcelo Eyer Fernandes

Começaremos com a apresentação dos candidatos.

Giancarlo
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: 3



« #1 : 16/03/07 - 18:40:54 »

Meu nome é Giancarlo Kind Schmid, sou natural de Vitória, ES, atualmente resido em Petrópolis, RJ. Sempre me inclinei ao esoterismo e ciências arcanas/ocultas (particularmente astrologia, numerologia, cabala e geomancia), ligando os temas à filosofia, psicologia e história antiga, inseridos dentro dos contextos mítico-simbólicos.

Dediquei minha adolescência ao estudo do Egito e particularmente, à piramidologia. Meus estudos de tarô se iniciaram em 1983, e em 1987 comecei a atender o público. Participei de feiras esotéricas dando consultas e palestras, percorrendo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Espírito Santo. Escrevo para diversos jornais e revistas da área, cujos temas são de ordem esotérica, filosófica ou humana.

O tarô se tornou uma ferramenta muito importante em minhas pesquisas, pois reúne uma gama ampla em conteúdos simbólicos, auxiliando-nos na jornada do auto-conhecimento.

Formei-me em Teoria Junguiana (Psicologia Analítica, de Carl Gustav Jung), e desenvolvo um trabalho denominado Tarô-Terapia que une o tarô com outras vias, como a astrologia e numerologia, respaldados com a base terapêutica da linguagem junguiana e dos florais. Sou membro honorário do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, da Ordem Rosacruz (AMORC) e Colégio Druídico do Brasil, além de sócio-fundador de 3 centros esotérico-culturais: Espaço Gênesis (Rio de Janeiro), Razões da Alma (Petrópolis) e Centro de Estudos Albus Luz (Petrópolis).

Convidado a participar do programa de fim de ano do Planeta Xuxa em novembro de 2001, pela Rede Globo de Televisão.

Em 2002, tive a honra de participar do Primeiro Congresso Brasileiro de Tarô em São Paulo(novembro), palestrando para um público de mais de 200 pessoas. Fui convidado novamente para participar do Segundo Congresso Brasileiro de Tarô em novembro de 2004.

Atualmente escrevo um livro sobre o Arcano Pessoal, estudo que relaciona o nosso nome com os Arcanos do Tarô.

Atendo normalmente em Petrópolis, mas sempre que posso viajo para o ES e SP dando palestras, cursos e atendimentos. Visite minha página para conhecer melhor meu trabalho: www.taroterapia.cjb.net

Apresento a você uma seleção dos melhores sites de tarô, esperando complementar ainda mais sua pesquisa na Internet! Siga essa ROTA!


Cordialmente,
Giancarlo Kind Schmid

http://www.sobresites.com/taro/bio.htm
ze_eduardo
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: 4


« #2 : 16/03/07 - 18:46:25 »

Eu, Zé Eduardo, nasci em 15 de maio em 1986 - Niteroi/RJ. Estudei em toda minha vida em instituições públicas, tendo passado pelo Colegio Pedro II, e atualmente estudando filosofia no Instituto de Filosofia e Ciencias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escrevo poesias e contos. E não tenho religião, não acredito em deus, nao concordo com os conceitos de Estado, propriedade e familia.
Já tive minha fase socialista, mas, atualmente a anarquia vem se mostrando mais interessante. Assim, obviamente, nao faço parte de nenhum movimento "organizado", pois, grupos existem em grande parte para lapidar a personalidade dos individuos, mesmo quando há um interesse em comum. claro que isso nao significa que eu nao acredite no bem comum, muito pelo contrario, só nao posso homologar com uma ideia que aprisione todo o cabedal de opçoes ao qual o ser humano pode escolher.
Minhas principais influencias sao: Heráclito (o grande mestre), Nietzsche, Bakunin, Proudhon, Marx, Ho Chi Minh, Carneiro Leao, Sartre, George Orwell, Graciliano Ramos, etc; e os grandes latinos americanos: Simon Bolivar, Che Guevara, Camilo Cienfuego, Sadino, Zumbi, Emilliano Zapata, Domingos Passos, etc... Como bem se pode ver, eu tenho bastante interesse em política, principalmente a de esquerda.
Meu interesse por arte também é marca relevante em minha pessoa. De Brecht à Rimbaud, passando por Maiakovski, Leminski, Joao Cabral de Melo Neto, etc.. e na musica entao nao creio que tenha espaço pra tantos, rs.
Essas sao algumas marcas que podem responder um pouco de quem é o Zé Eduardo.
MarceloEyer
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« #3 : 16/03/07 - 18:52:22 »

Nessa etapa cada participante deve expor a idéia que pretende defender no debate.

Giancarlo
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« #4 : 18/03/07 - 21:13:16 »

O tarô surgiu na Europa no final do século XIV (numa narrativa de um monge alemão de nome Johannes Von Reinfeldem), como jogo de cartas que logo foi conquistando a nobreza e incomodando o clero. Suas imagens artisticamente representadas, ricas em detalhes e profícuas em simbolismo, parecem retratar todo um costume medieval, como uma “fotonovela” de época. Vale dizer que, a fabricação de um maço de cartas tornava-se muito caro, pois todo trabalho manual era feito em folhas de ouro, pintados magnificamente à mão, tornando-se restrito às elites. Fora tributo real, presente de casamento entre famílias reais e objeto de entretenimento. Fora fabricado sob várias técnicas como a xilografia e litografia, ambas rudimentares antes do advento da imprensa. Muitos desconhecem o aspecto lúdico do baralho que o acompanhou até o século XVIII, quando começou a ser utilizado com fins divinatórios.

Teve o nome de Naibis, Ludus Cartarum e Tarocco, antes de ser conhecido definitivamente como Tarot. Tornou-se “febre” na Europa por muitos séculos, a ponto de existirem artesões especialmente dedicados a criar os baralhos, os chamados tarotiers, função essa tão importante como a de quem trabalha hoje na Casa da Moeda. O baralho tradicional é composto de 78 lâminas, divididas em dois grupos principais: os 22 Arcanos (Segredos, Mistérios) Maiores e 56 Arcanos Menores. As primeiras lâminas ou cartas não tinham nomes e nem eram numeradas. Os principais países que o fabricaram durante os primeiros séculos foram a França, Itália e Espanha. O primeiro baralho oficialmente conhecido chama-se Gringonneur e o mais antigo e completo encontrado em bibliotecas é o Visconti Sforza. O primeiro movimento ocultista envolvendo o tarô partiu de um enciclopedista de nome Antoine Court de Gébelin, que gozava de prestígio e poder de influência cultural na França do século XVIII; ele acreditou ter encontrado a origem da palavra TAROT nos “radicais egípcios” TAR (estrada) e RO, ROG ou ROS (vida), além de associar as lâminas às hierarquias e costumes dessa cultura. Tempos mais tarde Françoise Champolion desmentiu a teoria dos radicais egípcios ao decifrar a Pedra de Roseta. Mas, um outro ocultista, professor de álgebra e peruqueiro francês de nome Aliette (Eteilla), acabou por difundir o mito da criação do tarô no Egito, gerando assim uma influência numa corrente de pesquisadores e ocultistas nos séculos subsequentes, tais como Papus, Eliphas Lévi, Oswald Wirth, G O Mebes, Aleister Crowley, Ouspensky, Waite, dentre outros. Ficara assim estigmatizada a origem “mágica” do baralho, embora muito do que há em material histórico prove o contrário.

Com o movimento Iluminista do século XVIII, muitas filosofias, símbolos ancestrais e mitos foram “arrancados” de vez da cultura européia, dando espaço ao pensamento cartesiano dentro das diretrizes científicas. Por pouco o baralho de tarô não desapareceu em meio a essa mudança, se não fossem os ocultistas que escreviam muitas e muitas páginas sobre o tema.

Com o surgimento da Psicanálise no final do século XIX e início do século XX, a alma humana volta a assumir posição relevante nas pesquisas e novas formas de se entender o íntimo humano em suas diversas nuances. Foi Carl Gustav Jung, psicanalista suíço e contribuidor de Freud, quem abriu as portas para uma análise da natureza psíquica através do mundo simbólico. Jung identificou nos mitos, sonhos, ritos, na alquimia e religiões o arcabouço primitivo da nossa existência psíquica, dando origem à teoria dos arquétipos, dividindo o inconsciente em pessoal e coletivo. Dedicou-se a estudar várias culturas e povos (ancestrais e contemporâneos), percebeu a similaridade entre os diversos mitos e traçou um perfil dos tipos psicológicos a partir da observação do comportamento humano. Jung pregava a importância da integração em nós mesmos (individuação) e o identificou o Self (Si Mesmo), como núcleo de nossa alma. Embora Jung não tenha dedicado tempo exclusivo ao estudo simbólico do tarô (o fez com o I Ching), deu atenção ao tema no livro “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo” (publicação da Editora Vozes) no parágrafo 81: “(...)A série de imagens do tarô também parecem ser derivados dos arquétipos de transformação(...)”. Nesse caso, seria assim interpretado que o tradicional e conhecido baralho de tarô traz em suas figuras, traços ancestrais simbólicos que residiram (e residem) em todas culturas. Desta forma, ao identificarmos o símbolo como linguagem do inconsciente, o tarô torna-se uma espécie de “ponte” entre o intérprete e o cliente e cumpri-se a Lei de Sincronicidade ao abrir as lâminas após embaralhadas, pois o acaso não existe. O tarô é uma espécie de alfabeto que, combinando as imagens entre si, abrirão o “campo de visão psíquica” de forma que a intuição faça o seu trabalho. Partindo dessa premissa, não é necessária nenhuma mediunidade, contato com entidades espirituais ou “invocações mágicas” para ser possível a leitura, apenas boa sensibilidade e entrosamento com a cadeia simbólica encontrada no baralho. A exemplo, os 22 Arcanos Maiores traduzem melhor o SER, ou seja, a essência psicológica do cliente, enquanto que os 56 Arcanos Menores traduzem melhor o ESTAR, a condição que o cliente se encontra (sua vida e acontecimentos relacionados). Como dizia Jung, o homem é um ser que simboliza, e naturalmente, toda nossa origem anímica surgiu através da simbolização, expresso através dos mitos, lendas, ritos, artes, religião e a própria linguagem (inclusive escrita, a citar a hieroglífica). O tarô nada mais faz que, traduzir os anseios da alma pela revelação de suas figuras sincronicamente dispostas e combinadas.

Uma outra questão que vale a pena refletir é sobre a utilidade prática do tarô. Durante muito tempo, sua função foi somente a oracular, ou seja, prática advinhatória. Hoje, está sendo cada vez mais adotado por psicoterapeutas em práticas de análise. Normalmente as figuras despertam emoções pela técnica associativa, ou seja, se um paciente tem problemas com o seu pai e sai o Arcano “O Imperador” aleatoriamente (ou escolhido pelo mesmo), o terapeuta começa a explorar a importância daquele símbolo no momento. Ou ainda, se sai o Arcano “A Morte”, é questionado ao paciente seus temores e sentimentos sobre a imagem. A prática advinhatória ainda tem sido largamente utilizada e não creio que vá desaparecer, no entanto, cada vez é feita uma conscientização que cada pessoa deve ser responsável por suas próprias escolhas e, consequentemente, pelo seu próprio futuro. Ninguém tem o poder de alterar o futuro da própria pessoa sem o consentimento dela mesma. Ainda porque o futuro é impermanente e em constante transformação.

Quando é dada a oportunidade do cliente se conhecer melhor e reconhecer suas falhas e limitações, sua consciência se dilata e há uma luta contra o próprio EGO no sentido de promover uma auto transformação. Muitos tarólogos-terapeutas que vem utilizando o tarô com fins de autoconhecimento, também vêm se valendo de técnicas alternativas como o uso de Florais ou Fitoterapia (e outras ferramentas) como acompanhamento e estímulo para se fazer cumprir o objetivo desse trabalho. O cliente experimenta uma sensação de libertação interior e alívio, ao compreender que muitos dos problemas que vive, são frutos de escolhas erradas ou atitudes imaturas ou impensadas. Uma vez que as imagens arquetípicas dos Arcanos têm o poder de “penetrar” no inconsciente do cliente, há uma espécie de dramatização ao passo que o tarólogo-terapeuta revela o “quadro” emocional e psicológico do mesmo. Com a força dos símbolos, é muito mais fácil “impressionar” o cliente pelas orientações, ou seja, ele se torna mais receptivo e flexível para ouvir as instruções dadas na consulta.

Infelizmente, o trabalho ainda não tem reconhecimento científico, mas já é muito apreciado por terapeutas junguianos e cinesiologistas na Europa e EUA. Há algumas obras para consulta, que servem como referencial de pesquisa: “Jung e o Tarô” de Sallie Nichols (Pensamento), “Tarô e Individuação” da Dra. Irene Gad (Mandarim), “O Homem e Seus Símbolos” de Carl Gustav Jung e Colaboradores (Nova Fronteira), “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo” de Carl Gustav Jung (Vozes).
ze_eduardo
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« #5 : 18/03/07 - 21:14:55 »

Eu creio naquilo que se pode crer. Isto é, nao invento deuses, porque nao sou poderoso, nao ponho a mao no fogo pela ciencia, pq a verdade que ela afirma nada mais é senao um conjunto de conceitos sobre aquilo que ela constata, ou seja, sao mitos. E sao pessimos mitos aliais, pq nem sequer a ciencia se dá a graça da beleza da poesia, do lirismo, que é provavelmente a unica caracteristica q da alguma graça às respostas fantasticas das mentes religiosas.
Eu acredito na admiraçao, na reflexao, na agua que mata a cede. Afirmar que nada pode ser crido, um niilismo epistemologico, é apenas um medo de afirmar algo, ou seja, é o medo de afirmar que se esconde por tras de uma afirmaçao.
E ainda há medicos e padres, que para mim receitam pilulas e ave-marias com os mesmos interesses, a cura mesmo só depende do paciente. Mas infelizmente nem todos ouvem aquilo que nos é berrado aos ouvidos a todo o tempo.
A verdade está aí, a nossa volta com o seu discurso: "ouve, nao a mim, mas ao Logos da natureza, que é sabio concordar ser Tudo UM". Mas como ainda nao aprendemos a ser egoistas como as flores, vamos pagando o preço de nossas copias mal-feitas de uma verdade que pertence ao homem. Pois o homem pertence a verdade.
Oh, o homem! Heis a figura mais bela e surda que o lirismo da natureza criou. Somos tao orgulhosos de nossa razao, e no intanto é exatamente essa razao que nos torna capazes de decair... O homem cria deus, mata deus, vira deus, e nao se olha... É pena saber que a física sabe descrever um espelho com tanta precisao, mas nunca parou pra admirar aquilo que o espelho reflete...
A ciencia nao pensa, e se pensar deixa de ser ciencia... entao tambem nao vejo aonde esta o fator que faz a ciencia tao melhor que a religiao... e para nao ser incogruente só me resta nao acreditar em ambas.
Eu acredito no que pode ser acreditado. E para aqueles que querem mais que isso que agora lhes falo, deixo-lhes uns conselho: criem seus deuses, mas criem direitinho e sejam originais, por favor. Pois pior que deuses, sao deuses que nao refletem uma boa arte por tras de toda a baboseira pregada e chamada de verdade.
Mas, para aqueles que nao tem a pretençao de criar mais um deus, fica entao um conselho um pouco mais util doq o dado no paragrafo anterior: abram seus ouvidos para aquilo que lhes está sua volta, voce vai ouvir que tudo está cheio de deuses, mas é exatamente porque tudo já foi tocado pelo homem.
MarceloEyer
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« #6 : 18/03/07 - 21:30:17 »

Regras:
- Não será permitido editar o texto já publicado
- Cada participante tem o prazo mínimo de uma semana na entrega da mensagem
- O debate se inicia com Zé Eduardo e termina com Giancarlo
- Ao todo serão 6 mensagens (3 cada um), podendo o debate se extender, caso ambos os participantes concordem

ze_eduardo
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« #7 : 19/03/07 - 23:06:15 »

Nascem homens demais; para os supérfluos inventou-se o Estado; para os limitados inventou-se Deus, e creio que para aqueles que são ambas as coisas (supérfluo e limitado) inventou-se as crenças "extra-oficiais", aquelas que têm uma história tão longa quanto à do calor de uma paixão, - só que em proporções universais e não individuais, claro.

E ainda há quem tenha a obsessão de saber o futuro. Por falsa prudência, por vaidade enrustida, por medo da vida ou por pura curiosidade, que diferença faz? Dar nomes aos motivos que a covardia nos talha tão superficialmente não os faz ser verdadeiros. E quanto ao futuro, há quem diga que somente a mim pertence, então estarei sendo demasiadamente egocêntrico, porque até a velhinha que atrapalha a minha passagem na rua e me faz chegar atrasado ao meu lugar de destino está alterando o meu futuro. Mas também dizer que nada depende de mim, tudo é puro destino, é também se esconder por trás de mais um dos "motivos da covardia", já que o resultado final desta escolha tão fácil (fácil no sentido da escolha, claro que não em relação as conseqüência, e as tragédias gregas são os melhores exemplos disso, rs) é nada mais senão a abdicação do dever de responder por seus próprios atos, como é relevante a qualquer ser humano.

Mas há ainda uma desculpa que parece, senão mais nociva, então tão frívola quanto o querer saber o futuro, que é o "autoconhecimento". Não nego que o querer conhecer a si mesmo seja algo bom, pois como bem dizia Sócrates a 2500 anos atrás: "conheça-te a ti mesmo". Contudo, entre Sócrates e as "psiquês-de-esquina" existe um abismo epistemológico. O autoconhecimento feito por Sócrates, foi resultado de reflexões profundas (não que os resultados tenham sido os melhores sempre, rs), enquanto o autoconhecimento proposto por certas doutrinas não são fruto de muita reflexão, aparentemente é dado exatamente o contrario, onde o "cliente" ("cliente": taí algo que vale a pena ser mais profundamente estudado, mas só mais tarde) nada mais faz senão esperar que a resposta venha de algo de fora, o que faz de certa forma o prefixo "auto" se tornar algo no mínimo especulativo, pra não dizer desnecessário.

Corroborar com algo que tem supostamente por idéia principal a auto-reflexão partindo de algo que é externo ao sujeito é, ao meu ver, no mínimo justificar a cultura da não-reflexão que cada dia mais se faz presente, e assim abrindo mais o mercado para "salvadores dos limitados e supérfluos", que absorvem todas as inutilidades que sequer deviam ser criadas. Inutilidades que nos levam novamente a idéia de "cliente", pois não vejo outro nome pra quem a nada cria, mas somente absorve. Particularmente, prefiro ser um Sócrates insatisfeito que um porco saciado.

Assim, nada mais tenho a dizer sobre esse fenômeno que guiou esta dissertação senão que ele é só mais um fenômeno de mercado confortante para quem sofre de insegurança, e um caminho confortável para quem tem o dom da argumentação, mas, não da moral (no sentido mais Kantiano da palavra), e como qualquer outra religião, nada mais é senão um tipo de ópio.
Giancarlo
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« #8 : 20/03/07 - 15:46:12 »

Para alguns, o mundo se limita ao átomo. Para outros, há algo além dos véus da matéria. Existe uma presunção por trás de todo ceticismo, sendo este um subproduto do somatório do movimento cartesiano com o materialismo que ganhou força na era industrial. Céticos não desejam ser convencidos; querem apenas se agarrar a seus preconceitos como forma de auto-proteção, temem crer em algo que não podem explicar, pelo menos pela nossa parca razão humana. Se munem de cientificismo, mas esquecem que a própria ciência é experimental e está constantemente sendo reavaliada, afinal de contas, um dia acreditaram que a Terra era quadrada, que a mesma era o centro do universo e que tinha menos idade que se supunha, que o átomo era a menor porção da matéria, que haviam mais cadeias de DNA entre o homem e a mosca, enfim... a ciência caminha a passos de cágado, enquanto técnicas milenares como a acupuntura e a medicina ayuvérdica, que nunca mudaram e sempre estiveram entre os homens, são finalmente reconhecidas por cientistas renomados, depois de tanto tempo de pesquisas, gritam excitados: “Eureka!”.

O mundo vai passar e haverá sempre lugar para os crédulos e os incrédulos. Não há mal nisso, o que seria do azul, se todos gostassem do amarelo? O que me admira, é a ânsia desesperadora de alguns céticos em querer provar que Deus é uma farsa e procurar com isso usar jargões de Carl Marx (e outros pensadores) estampados em camisas, algo como: “a religião é o ópio do povo”. O que fazer? É fácil rotular isso ou aquilo, é puro misoneísmo por parte nossa, chamar algo que não se conhece de “psiquê-de-esquina”, quando na verdade não houve boa vontade de buscar na fonte o conhecimento. Compara-se o pensamento socrático com o pensamento de hoje, mas é importante lembrar que a filosofia foi esquecida ao longo dos séculos, perdeu muito de sua importância, será culpa nossa? Sócrates vivia numa sociedade mística, baseada no culto aos deuses e na observação da natureza, não havia TV para entupir a mente, nenhuma tecnologia para manipular pensamentos ou conceitos. E devo lembrar que a sociedade grega era fundada no princípio teológico, sendo este o grande contribuidor do pensamento socrático, pitagórico e platônico (dentre outros). Não se concebia o universo sem um Deus, no entanto, muitos “incrédulos gostam de arrotar filosofias porque é clássico, bonito e cai bem”. Para alguns, continua a valer a célebre frase: “do pó veio, ao pó voltarás”... eu, felizmente, não nasci para viver em saco de aspirador.

Duas coisas são importantes e devem ser levadas em consideração: a questão do “autoconhecimento” e a questão sobre “saber do futuro”. A primeira, não está “engessada” como aparece exposto na visão do nobre colega que debate comigo. Se conhecer não necessita de sufixos, afixos ou prefixos, isso é questão para ser debatida em aula de gramática. Auto-conhecer-se é experimentar a possibilidade de superar seus próprios limites pessoais e tomar consciência disso. E se o veículo para isso é a Astrologia, Numerologia, Tarô, Quirologia, Runas, etc, tão discriminadas pela ciência, religiões e céticos (não culpo ninguém, afinal de contas essas ferramentas se encontram na mão de muitos medíocres e ignorantes, a faca na mão errada torna-se arma letal), que sejam usados, o importante são os resultados. Não é dito que contra fatos não há argumentos? Se eu disser que meus clientes de tarô-terapia têm obtido resultados palpáveis em relação a seus problemas íntimos, há de se duvidar, não é? Foi o tempo que queria provar que essas ferramentas são úteis. Aliás, tudo têm uma utilidade prática. O problema é o uso? A ciência fabrica bombas, mata animais e cria vírus, e no entanto, por ser ela mesma, está isenta de culpa! Que ironia pensar que a própria “razão” humana é capaz de levar toda humanidade para o buraco!!! A dinâmica do auto-conhecimento é pessoal, única e não há receita de bolo. Lá no Templo de Apolo, em Delfos, não há uma efígie com os dizeres: “conhece-te a ti mesmo, mas o faça somente sob recomendação e supervisão do Sr. Sócrates”. Ridículo! Os gregos não tinham por hábito, se valer de nenhum monopólio intelectual e prepotência erudita. Não nos foi dado manuais de instrução para sobrevivência terrestre, cada um usa os recursos que dispõe. Aos céticos, a ciência e a filosofia empírico-materialista. Aos crédulos, a religião e a fé em algo superior. Melhor ou pior? Não existe !!! Como dizia Jung, toda experiência humana é válida, desde que haja coerência entre o consciente e o inconsciente pessoal...

Quanto ao futuro, infelizmente (ou felizmente), sempre existirão aqueles que desejam saber do amanhã. Isso é ancestral, está arquetipicamente registrado em nossa psiquê coletiva, até acho válido, em parte, tal necessidade. Muitas das descobertas e invenções nasceram da curiosidade, da necessidade do homem desvendar determinados “mistérios”. O problema é transformar a curiosidade em dependência! Se a busca da compreensão do futuro está baseada na compreensão de si mesmo no aqui e agora, então é válido procurar evitar percalços, melhorando a si mesmo e transformando seu amanhã. Detesto pensar que sou como uma folha ao vento, sendo empurrado pela vida, de um lado a outro, sem arbítrio e sem destino!

A ciência nasceu da necessidade de se prever o futuro. Até o século XVIII, a maioria dos pesquisadores e cientistas, também eram “místicos”, posso citar Galileu Galilei, Paracelso, Copérnico, Newton, etc e esses homens deixaram um legado a nós, não deixaram de ser importantes porque acreditavam em Deus ou em algo superior. Muitos não sabem, mas tomando como exemplo a Astrologia, posso apresentar um lista de cientistas, filósofos, formadores de opinião e intelectais, defensores da mesma: Adams, Alberto Magno, Al Kowarezmi (Pai da Álgebra), Alexis Carrel (Prêmio Nobel-Medicina 1912), Allendy, André Breton, Aristóteles, Arrhenius (Prêmio Nobel-Química 1903), Balzac, Benjamin Franklin, Bode (Astrônomo), Robert Boyle (Físico), Luís de Camões, Campanella, Cardan, Charles Nordmann (Astrônomo), Claude Lévy-Strauss, Confúcio, Copérnico (Astrônomo), Cristóvão Colombo, Dante, D'Arsonval, Edison, Einstein (Prêmio Nobel-Física 1921), Emerson, Enrico Fermi (Física atômica), Francis Bacon, Frobenius, Fludd, Gabriel Marcel, Galileu (Físico e Astrônomo), Giordano Bruno, Goethe, Henrique de Sagres, Henry Miller, Herman Hesse (Prêmio Nobel-Literatura 1946), Hermes Trismegisto, Hiparco, Hipócrates, Jean Cocteau, Thomas Jefferson, John Flamstead (Astrônomo), John Milton, John O'Neill (Prêmio Pulitzer 1937), Júlio II, Júlio César, Julius Robert Oppenheimer (Físico Atômico), Junctino, Jung, Kepler (Astrônomo), Lao-Tse, Leon Vannier, Leonardo Da Vinci (o maior inventor da humanidade), M. Filippoff (Astrônomo), Maeterlinck (Prêmio Nobel-Literatura 1911), Malba Tahan, Mark Twain, Masson-Oursel, Marco Polo, Max Jacob, Mozart, Napier (Pai dos logaritmos), Nehru, Indira Gandhi, Newton (Astrônomo), Niels Bohr (Físico atômico), Norman Mailer (Prêmio Pulitzer 1969), Omar Khayyan, Paracelso, Pasteur, Pauli (Prêmio Nobel-Física 1945), Percy Seymour (Astrônomo), Pitágoras, Platão, Plotino, Porta, Ptolomeu, Raymond Abellio, Richet, Riquet, Romain Rolland (Prêmio Nobel-Literatura 1915), Roger Bacon, Rudyard Kipling (Prêmio Nobel-Literatura 1907), São Tomás de Aquino, Scalígero (Astrônomo), Seligman, Shakespeare, Sisto IV, Swendenborg, Theodore Roosevelt (Prêmio Nobel-Paz 1906), Tisserandt (Cardeal), Tagore (Prêmio Nobel-Literatura 1915), Tycho Brahe (Astrônomo), W. Drumond, Walter Scott, W. Heisenberg (Físico Atômico), Fritjoff Capra (Físico atômico, quântico e de alta energia), e etc. E essas pessoas são medíocres, por crerem na influência dos astros???

É engraçado como todo cético, na hora do desespero, resmunga: “Deus me ajude!”. Que Deus é esse? É o Deus dos livros, é o Demiurgo vivente na Faculdade, é o Criador que mora no cérebro de alguns pensadores? Todo cetiscismo está fundado no pensamento de outrém, se por alguma razão esse “castelo de cartas intelectual” desmonta, ficam os céticos, à deriva, em suas vidinhas pequenas...

Todo trabalho que se vale de símbolos remete ao íntimo do indivíduo. Assim como nós precisamos de um médico para diagnosticar um problema, um astrólogo ou tarólogo pode muitas vezes apontar onde está “o ponto cego” do indivíduo. Assim o faz a atual psicologia, e todas demais terapias de auto-conhecimento. O trabalho com o tarô é mais uma bússola do que o leme de uma embarcação, a função não é controlar externamente a vida do consulente, mas fazê-lo compreender que o próximo passo deve ser pensado, analisado, refletido. O fato de se acreditar ou não nesse trabalho, não fará com que as pessoas deixem de gostar dele e procurá-lo; costumo dizer para meus amigos que adoro os céticos, são eles os maiores propagandistas de trabalhos como o meu, assim como algumas igrejas evangélicas adoram fazer marketing em cima do diabo...
ze_eduardo
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« #9 : 18/04/07 - 15:21:42 »

"Dois Problemas se misturam: A Verdade do Universo e a Prestação que vai Vencer" (Raul Seixas)

Antes de tudo eu gostaria de pedir desculpa por aparentemente não ter sido muito claro no meu ultimo argumento, e aparentemente também na parte "o que pensam". Porque eu fiquei com a leve sensação de não ter sido lido, ou pelo menos de não ter sido interpretado coerentemente com o que tentei dizer. Mas eu vou assumir a culpa, desta vez. Enfim, sinto que esse post não será tão produtivo quanto eu gostaria, pois vejo que há alguns pontos que ficaram um tanto quanto mal esclarecidos, e infelizmente vou ter de perder esse post de hoje pra fazer algumas reparações nesta nossa tentativa de construir um conhecimento ou, sendo mais pessimista, uma opinião. Deixo então de cara o meu pedido de desculpa àqueles que forem me ler, e espero que eu não tenha de perder um post novamente fazendo reparos que de todo, não são de minha responsabilidade individual.

Bom, voltando ao assunto, eu gostaria de lembrar que anda acontecendo uma certa gama de confusões. Primeiro, a diferença entre "ser limitado" e "não ser fantasioso". Eu creio que eu seja limitado sim, como qualquer homem que não pode ser egoísta como uma árvore, mas antes de tal, eu gostaria de ser entendido, em nome da honestidade, como aquele que não é fantasioso. Pois como eu já deixei implícito na minha nota de abertura: defender um ceticismo não passou nem perto do que eu já afirmei até então. Contudo, hei de concordar com o fato de que acreditar no inacreditável, eis, sim, o que eu sou contra. E provavelmente o que me deixou mais triste foi o fato de alguém achar que eu estou defendendo algum cientificismo. Mas mesmo assim, desta vez assumo a culpa por uma suposta obscuridade de meus argumentos. Então só posso repetir aquilo que já afirmei antes: a ciência constata, conceitua, e torna "verdade", pra mim isso é mitologia; então pra não ser incongruente, eu obviamente não corroboro nem com a ciência nem com a religião.

Eu também gostaria de dizer, que não é muito gratificante ver o que andam fazendo com a historia. Dizer que: "O mundo vai passar e haverá sempre lugar para os crédulos e os incrédulos. Não há mal nisso." (dando ênfase em "não há mal nisso") é no mínimo passar a mão na cabeça de anos de perseguição, inquisição, censura, etc.

E é fácil rotular sim, fazemos isso o tempo todo, julgamos porque pensamos baseado em nossas experiências, mas só a reflexão pode nos fazer ultrapassar a barreira do simples julgar. O difícil mesmo está em tentar fazer preconceitos milenares, daqueles que não refletem sobre seus julgamentos, se tornarem um pouco mais evidentes aos olhos de pessoas já tão sacrificadas. O problema é que na fragilidade da dor dos sacrifícios há a brecha da superstição, e aí: inventamos deuses, inventamos conceitos científicos, inventamos liberalismos e neoliberalismos, e não sei mais o que essas mentes gananciosas são capazes de inventar. Se um aforisma, clichê ou não, de Karl Marx ou não, é parte desta reflexão universal que deságua em nós (sabendo que isso é diferente do que esperar que o conhecimento venha do aforisma, venha de fora, isto é que outros pensem por mim), então é muito bem vindo, e quanto mais gente usar a camisa com essa estampa, significa que o mundo ainda acredita na igualdade de oportunidades entre os homens.

Agora, segue uma parte que é quase uma afronta pessoal. Dizer que a filosofia foi esquecida, é então dizer que Sartre não existiu, Heidegger não existiu, Foucault não existiu, Derrida não existe, Nelson Goodman não existe, Eu não existo, etc, etc. Isso seria um existencialismo em massa praticamente, oops, existencialismo é um conceito contemporâneo da filosofia, desculpa, foi que eu esqueci que ela foi esquecida. Mas ainda assim tenho que dizer que a filosofia está a nossa volta, votamos de 4 em 4 anos pra abdicar de seus direitos democráticos, isso é filosofia (mal feita, mas é filosofia), nos impomos regras morais, isso é filosofia, etc, etc, etc... mas se é pra baixar o nível: a psicologia está aí, e qual psicologia não é filha da filosofia? Ignoramos o que é filosofia, o que é política, ignoramos o que nos diz o logos da natureza. E depois ainda colocamos a culpa na TV.

Mas talvez tenha sido alguém da TV (TV da qual que não faço parte e nunca apareci, pois a moral me impede de fazer parte daquilo que não concordo ser legítimo) que alguém tenha dito que Sócrates concordava com uma sociedade mística, porquê não tem muito fundamento dizer algo tão próximo, sem o interesse de que alguém faça tal ligação (convenhamos que a inocência passou bem longe). O problema é que sequer se pode afirmar que Sócrates existiu com absoluta certeza (e se existiu creio que fui bem claro no último post que o fruto das reflexões do "Sr. Sócrates" não foram tão dignas de defesa), então partindo de alguém que existiu: Platão - e devemos dizer que o que afirmarmos também será muito arriscado, pois Platão foi convertido ao cristianismo na idade medieval. Mas, se há uma afirmação um pouco mais segura, baseando-se neste fato histórico, é que Platão só foi "batizado" porque via na mitologia a sua volta uma grande balela, uma mentira muito da mal contada, principalmente "A Republica", onde ele demonstra seu ligeiro desconforto com Homero. Daí foi só um passo pras crendices da época dizerem que o tal "gênio (o Daimon) que guiava o Platão" era o deus cristão que se revelava quase 500 anos antes de Cristo, ou o demônio que começava a dar as suas caras, rs. Mas se o foco é Sócrates, então não devemos esquecer jamais (apesar da filosofia ter sido esquecida. Não por mim pelo menos) que Sócrates foi condenado à morte exatamente porque foi contra o "misticismo" de sua época [se ele existiu].

Sobre a questão do futuro creio que não há muito ainda a se dizer, pois querer transforma-lo em algo melhor pra todos é algo louvável, mas sabe-lo é impossível, e é exatamente por isso que se chama futuro. Pois ainda não é presente, ou passado, logo ninguém tem o conhecimento dele. A todo tempo tentamos fazer relações de causa e efeito e tentamos prever os "mistérios" de uma qualquer divina providência. Se o futuro fosse uma área de livre trânsito aos humanos como "revelam" os ocultistas, então não teria nem porque estarmos discutindo-o, simplesmente iríamos até ao futuro e pronto. E só posso afirmar isso porque muitos dos monstros que "deus criou" para manter a humanidade em estado de ignorância já foram mortos pelos desbravadores.

E quanto à questão do autoconhecimento, ela está se mostrando algo realmente problemática, porque, pra mim o prefixo "auto" era de alguma relevância, ainda mais porque é de mim que eu pretendo adquirir algum conhecimento. Ora, se então o autoconhecimento não precisa necessariamente partir de mim, então creio que as palavras do "nobre colega" nada mais foram senão ecos das minhas palavras contra seu próprio argumento do autoconhecimento, que de "auto" não parece ter muito. Pois, se qualquer coisa fora de mim vai fazer eu "me descobrir", então que diferença faz se eu julgo e reflito sobre minhas próprias experiências, ou não?! Assim, se o "auto" não tem relevância (a não ser gramatical, rs), é fácil entender porque acreditar que os números vão dizer quem eu sou, ou que as cartas digam quem eu sou, que os planetas digam quem eu sou... só acho que eu sendo mais assim ou mais assado os planetas vão continuar girando, os números vão continuar sendo símbolos quantitativos, etc e etc. E ainda me vejo obrigado a descordar que essa má utilização das crenças como algo letal, pois a morte é a vida, é degeneração e criação ao mesmo tempo, a não ser que se trate de um niilista, o que não é o caso (infelizmente, porque os niilistas são muito mais interessantes). Se fosse letal teríamos muitas coisas sendo criadas, no entanto essa "vontade letal" não aparenta ser mais do que uma vontade de manter tudo como está, sem reflexão.

Agora, chegamos em uma parte do dialogo que talvez seja a mais edificante de todas, a questão pratica. E aí, também tenho que afirmar que os fatos práticos não provam a veracidade de nada sem o resguardo dos argumentos, pois, isso nada mais é senão "a moral". E, dizer que a ciência não responde por seus atos em nada me surpreende, pois como já disse antes (mas aparentemente não fui lido): "a ciência não pensa", e dentro deste clichê tão edificante podemos encontrar a amoralidade da ciência. E dizer que a razão é aquilo que faz decair o homem também não nos trás nada de novo, pois como eu também já disse antes: "como ainda não aprendemos a ser egoístas como as flores, vamos pagando o preço de nossas copias mal-feitas de uma verdade que pertence ao homem. Pois o homem pertence à verdade." E como ele pertence a verdade, cabe a ele ouvir isso, a moral. Ninguém aqui está afirmando uma receita de bolo, mesmo que seja bonita, clássica e caia bem; mas sendo obrigado a me repetir novamente e torcendo pra que essa seja a última vez: "O autoconhecimento feito por Sócrates, foi resultado de reflexões profundas (não que os resultados dessas reflexões tenham sido os melhores sempre, rs)". Espero que agora tenha ficado claro.

E só um reparo que talvez nem tenha tanta relevância, mas eu acho essencial fazer, só pra não deixar os queridos leitores com apenas um lado da "verdade histórica", que é: "Os gregos não tinham por hábito, se valer de nenhum monopólio intelectual e prepotência erudita" (disse o "nobre colega"), mas existiam, de fato, um grupo de "filósofos" gregos conhecidos como sofistas, que basicamente trabalhavam e consecutivamente viviam em torno de sua própria fama, e de sua "prepotência erudita".

Agora, entre crédulos metafísicos e "céticos empíricos" (ps: esse conceito não faz muito sentido, mas tudo bem), não creio que haja uma diferença tão grande, mas eu me colocaria mais próximo dos "céticos empiristas"; pois eles, os céticos, não têm muito a perder (já que supostamente já perderam o que havia pra ser perdido, isto é, suas crenças) e os empíricos não tem a arrogância de dizer que entende o que é superior e inteligível, quando se trata de deus ou de qualquer outra crença não material, eles apenas aprendem o que se pode ser aprendido e apreendido (e isso está longe de ser limitado, como pode parecer sem uma reflexão mais profunda). Enquanto os crédulos metafísicos têm muito a perder, basicamente eles tem uma espécie de Verdade a ser perdida, a sua própria verdade. E entendo que se alguém pode ser acusado de preconceitos, eu pessoalmente acusaria os crédulos, pois eles têm o que perder, e assim se apegam com mais facilidade àquilo que lhes é favorável, sem estimular de todo a reflexão, chegando ao ponto de dizer que o autoconhecimento não é necessário que seja precedente do próprio ser, ou seja, chega-se a dizer que o "auto é só uma questão gramatical no autoconhecimento".

-E se os leitores me permitem eu gostaria de abrir um grande parêntese pra analisar esta frase: "toda experiência humana é válida, desde que haja coerência entre o consciente e o inconsciente pessoal". Quanto a parte de que toda experiência é valida, é até homologável, caso tenha a sua "justa justificação", o que não foi o caso. Desculpe-me Sr. Jung, mas dizer: "desde que haja coerência entre o consciente e o inconsciente pessoal", soa no mínimo estranho aos ouvidos, porque até então eu entendia o "inconsciente" exatamente como aquilo que não é dado à consciência, e por isso não seria algo cognoscível, ou seja: o inconsciente seria o não conhecível do ser-em-si. Assim, encontramos a causa da minha estranheza por essa frase, pois dizer que devemos ser coerentes com o inconsciente (em relação ao consciente), é afirmar que devemos estar de acordo com aquilo que não temos um total conhecimento. Logo, se concordarmos com essa frase, vamos acabar dizendo que as experiências são válidas se mantivermos a coerência entre aquilo que somos capazes de "ter consciência" e daquilo que não somos capazes de conhecer por si próprio. O que nos levaria de novo a entender que o autoconhecimento proposto pelo nosso "nobre colega" não deveria vir de nos. Acho que a questão anda realmente bem "engessada", pois até agora não vi muita flexibilidade nela. E assim agradeço novamente aos leitores por me darem a liberdade de abrir esse gigantesco parêntese, foi por uma boa causa.-

Tento eu perpassado pelos argumentos, vejo-me então alvejado por uma saraivada de nomes históricos. Seriam todos eles "vitimas cardíacas dos astros" (Fernando Pessoa há de me perdoar por essa liberdade poética, rs)? Talvez sim, mas há uma pergunta que creio ser incomensuravelmente mais importante a ser feita, que é: "essa crença se reflete diretamente no trabalho de todos?" Não tenho a pretensão de responde-la agora; porque não conheço a todos, mas tem alguns nomes dentre eles que acho que é de relevante importância analisarmos, com mais cuidado, do que o simples "arroto" de nomes, como foi feito. Nomes como: Levi Strauss, o estruturalista; e Francis Bacon, o pai do empirismo moderno. Então respondendo a minha própria pergunta sobre esses pensadores: se deus ou "o oculto" aparece em seus trabalhos é no máximo com alguma citação bíblica (ideologia cultural regional ou temporal), ou referência comportamental. Porque nem a proposta do estruturalismo, muito menos a do empirismo iriam afirmar algo a favor daquilo que respectivamente, não passa de base simbólica do sujeito (para um estruturalista) e aquilo que não se pode ser empiricamente observado, tão pouco gerando certeza (para um empirista). Esses pensadores tiveram a sagacidade de não confundirem sua ideologias com suas produções epistemológicas. Isso sem contar que cada um dessas dezenas de nomes tinha a sua idéia de deus e cada um entendia a influencia astral também de forma muito particular (mostrando que a pergunta "que deus é esse?" feito aos céticos, também pode ser perfeitamente feita aos crédulos), então generalizar se torna algo de todo muito arriscado. E respondendo a pergunta se eles são pessoas medíocres: sim, claro que são, pois como o próprio colega disse antes em seu próprio argumento, é a razão que torna possível a decadência do homem (ps: não que isso dignifique um motivo para o humano continuar sendo demasiado humano), e se deus ou outras crenças não são salvaguardados pelo menos por um mínimo de razão, então não tem nem porque eu ou você estarmos falando disso. Já que seria algo inteligível.

Quanto ao argumento que na hora do desespero os "céticos resmungam à deus", eu prefiro sequer me pronunciar muito, pois essa é uma afirmação de todo infundada, já que ninguém é capaz da experiência do todo, principalmente quando se trata da "verdade" da consciência que não é a sua própria, o que torna então essa generalização descreditada. Pra mim PEQUENO é colocar palavras na boca de outrem, ainda mais quando a vida desse outrem é responsabilidade própria dele. Eis tudo que posso falar perante tal generalização preconceituosa.

E só posso dizer, me aproximando do termino deste post, que a comparação entre a propaganda que os céticos fazem das crendices do oculto (que não sei porque chamam de oculto, se parece que todo mundo vê e explica, rs), e a propaganda que os evangélicos fazem ao diabo, foi certamente maravilhosa, eu não faria melhor! Afinal céticos e evangélicos não criam nada de novo ou relevante, apesar dos motivos dessa estagnação epistemológica serem diferentes entre eles... e a comparação entre as crendices do "oculto" e o "diabo" também foi particularmente muito boa, já que ambos não são figuras confiáveis, tanto pra servir de leme como para servir de bússola.

E ao encerrar esta dissertação, tenho de dar meus mais sinceros parabéns ao meu "nobre colega" por ter trocado a palavra "cliente" pela palavra "consulente" (isto é, alguém que se consulta), pois ficou muito mais diplomático, deu até um ar de dignidade àqueles que procuram a confortabilidade do autoconhecimento que não parte do "auto"... Realmente tirou aquele ar capitalista que pairava sobre o discurso. Parabéns!
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