O pensar é o mesmo que reconhecer-se limitado no mundo. Só posso pensar o mundo que está diante de mim. Por mais que ele se apresente como extenso por sua aparência de infinitude, as minhas idéias se limitam ao meu eu, o sujeito que pensa. O pensar é o fichamento e o fechamento de um mundo próprio, interpretado por mim como uma visão subjetiva globalizada do todo que foi-me permitido alcançar, embasado pela experiência de vida convertida em realidade. Digo haver uma dicotomia entre o pensamento e o pensar. Pois o pensamento se apresenta, ainda que aparentemente, mais livre, pois ele se faz nas variáves da vida que nos permitem fixar cada vez mais as idéias, visão de mundo, ou realizar rupturas com as mesmas. Nada se faz em forma de pensamento sem passar pelo crivo da experiência. Por sua vez, o pensar é uma ação que legitima a nossa repressão no mundo, pois pensa-se aquilo que nos é oferecido.
Rouxinol, tenho dificuldades em acompanhar teu raciocínio, ora parece poesia ora alegações pós-sartrianas. Essa dicotomia entre e o pensador e o pensamento é antiga, por mais que a metafísica se contorça para explicá-la, acaba esbarrando em dificuldades incontornáveis.
Digo mais: quem é a entidade que pensa? O eu. Como ele se relaciona com seu pensamento? Analisando o processo, e isso sómente é possível através do ... ... ... PENSAMENTO!!! Como vê, acaba sendo circular, um beco sem saída.
Quando você elimina essa dicotomia e assume que teu núcleo pensante e seu produto, o pensamento, são uma coisa só ou seja, você é o teu pensamento, algo dinâmico e criador, você mata a charada.
