|
Alexandra
|
 |
« : 24/09/07 - 14:19:21 » |
|
 Poste suas obras favoritas! Divida a beleza da poesia!
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #1 : 24/09/07 - 14:20:03 » |
|
O CADÁVER
" Como pode tão branca derme não atrair da terra os vermes, E nem do céu a neve como berne Deste frio cadáver embalsamado em germe? Do vinho ao sangue que me lavo, Da carne a alma em que me salvo, Sou tão cadáver quanto tu, princesa deste salmo, Sou tão abstrato quanto o fundo de seu covil...um palmo. Como pode uma mão tão fria Ocultar como um vel Os olhos de um anjo ao cair do céu? Espero-te no inferno perguntar-me em prosa O por que parei de me alimentar de tua carne, Responderei em versos que tua alma é mais saborosa."
Lord Byron.
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #2 : 24/09/07 - 14:21:11 » |
|
"Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio
Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito Vê em mim um crânio, o único que existe Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva, Tudo aquilo que flui jamais é triste. Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri; Que renuncie e terra aos ossos meus Enche! Não podes injuriarme; tem o verme Lábios mais repugnantes do que os teus. Onde outrora brilhou, talvez, minha razão, Para ajudar os outros brilhe agora e; Substituto haverá mais nobre que o vinho Se o nosso cérebro já se perdeu? Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus Já tiverdes partido, uma outra gente Possa te redimir da terra que abraçar-te, E festeje com o morto e a própria rima tente. E por que não? Se as fontes geram tal tristeza Através da existência-curto dia-, Redimidas dos vermes e da argila Ao menos possam ter alguma serventia.
(Lord Byron)"
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #3 : 12/10/07 - 23:08:13 » |
|
Acrobata da Dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta, como um palhaço, que desengonçado, nervoso, ri, num riso absurdo, inflado de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta, agita os guizos, e convulsionado salta, gavroche, salta clown, varado pelo estertor dessa agonia lenta ...
Pedem-se bis e um bis não se despreza! Vamos! retesa os músculos, retesa nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente, afogado em teu sangue estuoso e quente, ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Cruz e Sousa
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #4 : 12/10/07 - 23:09:39 » |
|
Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente A trágica voz rouca, enquanto o vento Passava como o vôo do pensamento Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente, Olhando o céu pesado e nevoento, E interroguei, cismando, esse lamento Que saía das coisas, vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura, Seres elementares, força obscura? Em volta de que idéia gravitais?
Mas na imensa extensão, onde se esconde O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais…
Antero de Quental
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
Raphael
Homo Erectus
 
: 
: 145
Neo-Anarquista
|
 |
« #5 : 13/10/07 - 13:57:34 » |
|
Gosto de poesias, principalmente as que criticam algo. Vou procurar algo e posto aqui. 
|
"Anarquia é utopia, faça uma todo dia"
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #6 : 17/10/07 - 10:50:37 » |
|
Antero de Quental
Noturno
Espírito que passas, quando o vento Adormece no mar e surge a Lua, Filho esquivo da noite que flutua, Tu só entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento- Que voga e sutilmente se insinua, Sobre o meu coração que tumultua, Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva Um instinto de luz, rompendo a treva, Buscando. entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome, A febre de Ideal, que me consome, Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #7 : 17/10/07 - 10:52:42 » |
|
:hihi: Um curtinho agora: O ACENDEDOR DE LAMPIÔES
Lá vem o acendedor de lampiões da rua ! Este mesmo que vem enfatigavelmente, Parodiar o sol e associar-se à lua Quando a sombra da noite enegrecer o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua Outros mais acende imperturbavelmente, À medida que a noite aos poucos se acentua E a palidez da lua apenas se presente.
Triste irônia atroz, que senso humano irrita:- Ele que doira a noite e ilumina a cidade. Talvez não tinha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também que nos outros insinua Crenças, religiões, amor, felicidade, Como este acendedor de lampiões da rua ! JORGE DE LIMA
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
Raphael
Homo Erectus
 
: 
: 145
Neo-Anarquista
|
 |
« #8 : 17/10/07 - 14:27:35 » |
|
Elisa Lucinda - Só de Sacanagem
Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós.
Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.
Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!
Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”
Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para mudar o final!
|
"Anarquia é utopia, faça uma todo dia"
|
|
|
|
Alexandra
|
 |
« #9 : 22/10/07 - 19:03:09 » |
|
 A obra é composta por 8 partes, mas vou postar apenas a 1°. Nosso Tempo
Carlos Drummond de Andrade
I
Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
|
Somos todos generais lutando em uma guerra perdida.
|
|
|
|