|
ForCed EXistenCe
|
 |
« : 14/12/08 - 17:59:19 » |
|
Jamais qualquer conquista democrática se fez por profissões fé. Onde a fé dominava, massacres por imposições se fizeram presentes, haja visto o reinado de Carlos IX, com a matança de S. Bartolomeu, as dragonadas promovidas por Luís XIV simplesmente porque achava que a palavra divina estava com ele e que seu reinado deveria ficar livre daqueles que não comungavam das mesmas crenças que a sua.
Ser um sujeito ético independe de se ter fé no sobrenatural, ou mais dotado de senso moral do que aqueles cujas ações estão invariavelmente atrelados às promessas advindas de livros santos. A importância de uma atitude com consciência de valores universais e laicos está justamente em sua oposição no que se refere á imposição muitas vezes tirana do que pensa diferente, guia suas ações tão somente devido a sua responsabilidade ética sem o temor incontrolável da fúria divina e que por esta razão é mais livre.
Quem é livre, não se sente ameaçado por quimeras doutrinárias, não vê olhares ameaçadores dos religiosos a espreitar sempre os livres de crenças religiosas como verdadeiros guardiões dos céus todas as ações que não satisfazem os seus ritos, mesmo que de forma sutil. Por isso, é incompatível dizer que aqueles que orientam sua responsabilidade e suas ações isentas de aforismos sacros seja anti-cristo, anti-islã, anti isto ou aquilo.
A democracia, entendo que o estado deve garantir não só os cultos quaisquer que sejam eles mas acima de tudo manter sua isenção no que tange às crenças e suas manifestações. Entendendo também que a maioria dos homens está vocacionado ao progresso e ao aperfeiçoamente ético. A democracia num estado laico, ensina que é possível o progresso mesmo quando há paixões envolvidas. Para tanto, deve haver um moderador para que não se sucumba a nação cujas necessidades são mais emergentes para o bom funcionamento do organismo social e assim sendo, a intervenção do próprio estado quando uma ação individual movida por dote de fé, insulte o diferente de si.
Imposição de verdades está portanto intrinsecamente relacionado àqueles que a todo momento deixa transpirar suas convicções de fé, notadamente às religiões e os seus prosélitos que se vêem na obrigação de assediarem por contágio aqueles que ainda 'não encontraram o caminho da salvação.' Para tanto é necessário a defesa de uma maior imparcialidade, (e esta imparcialidade só poderia vir do estado) para que uma minoria indeclinável de suas posições morais não seja submetida a quaisquer sectarismos religosos que seja.
Sendo impossível a supressão da religiosidade do homem, uma vez que uma crença qualquer, religiosa, política, moral ou social mantém-se sobretudo pelo contágio mental e por sugestões repetidas como imagens, estátuas, relíquias, peregrinações, cerimônias, cantos, música, prédicas, etc., como os elementos necessários e dessas sugestões, a ostentação constante destes símbolos nas repartições públicas fazem sugerir que o estado está sob o édito velado de escrituras sagradas em detrimento de seu papel de isençã. O não cumprimento desta isenção, restringe as liberdades de consciência que devem ser também estendida sob todos os vértices até mesmo os que não sofrem deste contágio religioso. Entenda-se: Ateus, céticos e agnósticos.
O mérito da democracia não está onde o estado sob a marquise da bíblia, protege todos os filhos de deus e os que têm opiniões contrárias os párias da moral. Se assim o fosse a contituição de 1891 a qual institui oficialmente a separação da igreja do estado não fizesse o mínimo sentido, ou que seus coordenadores não sabiam o que faziam. Sabiam sim o que faziam seus idealizadores inspirados certamente pelo progresso que seria um país não dominado por supertições ou que não submetiam aqueles que exerciam sua livre consciência sob o julgo de escrituras sagradas. O ideal democrático de isonomia é praticado quando o estado não se cede a demandas particularistas, o que é inevitável quando se trata de razões religiosas.
|