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« : 24/06/09 - 19:52:58 » |
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Por Santo Anselmo de Cantuária* (1033, 1109). A respeito da prova da existência de deus:
1. Podemos conceber um ser a que nenhum outro se possa superiorizar, chamemos-lhe deus. 2. Deus existe quer apenas nas nossas mentes, quer no mundo (tão imaginário, como real). 3. Ser real é superior a ser imaginário. 4. Se deus existisse apenas nas nossas mentes, poderíamos conceber um ser superior - um que exista no mundo real. 5. Mas então seria um ser superior a outro ser superior que não podia ser concebido, o que é contradição. 6. Logo, Deus existe.
Para haver um superlativo de um ser, é necessário que antes exista tal ser. Se dissermos que há um ser superior a todas as coisas, devemos dizer a que coisas ou coisa nos servem de referência.
Pelo que sabemos sobre organismos vivos, poderíamos dizer que uma bactéria é superior a um vírus pelo que a reprodução de uma bactéria é mais complexo que a reprodução de um vírus.
Nos soaria absurdo esta comparação pois cada organismo vivo evoluiu segundo adaptações as quais fizeram que cada organela, cada partícula e funcionalidades tão diversas de um ser vivo de outro fossem suficientes para que os cientistas lançassem mão de classificações tão complexas. Mas seguindo esta lógica de uma superlatividade absoluta, podemos dizer que a bactéria enquanto bactéria com um certo nível de complexidade, é um deus diante um vírus ou um composto inorgânico. Assim como todo ser que possui núcleos celulares ou os eucariontes são superiores aos seres procariontes. Mas talvez isso não basta para definir um deus, que supostamente seria um ser transcedente, superior a tudo que conhecemos e a que tudo cria e é imensamente complexo para nossa compreensão.
Porém nossa compreensão sobre o transcedente, se é que existe, é uma jornada tremendamente infrutífera pois muitos céticos julgam que o que sabemos sobre a realidade será sempre um conhecimento insuficiente. Se assim é, o que podemos dizer sobre coisas como o imensuravelmente complexo cujas mentes não alcançam?
Não adianta dizer que o que é complexo é algo criado porque senão a gente cairia num argumento circular: Para algo que cria e sempre está criando também deve ter sido criado, e quem cria o criador? Ou melhor: Se este ser é a causa primeira para que há necessidade desta causa primeira ou quem nos fornece com segurança informações de que a causa primeira não existiu sempre ou se houveram sempre 'causas primeiras'? Tanto quanto sabemos nossos padrões de conhecimento a cerca do mundo são manifestações mentais sobre uma realidade.
Toda a realidade que está representado em nossas mentes não são uma fotografia fiel da realidade. Afinal o que seria realidade? Intuimos muito sobre a natureza por nossas experiências e assim inferimos sobre a realidade através da linguagem. Dizer que algo exista somente em nossas mentes é aceitar o fato de que estamos sucetíveis ao autoengano. Pensamos em deus, fazemos referências e imagens a este deus de acordo com que fomos educados pela cultura.
Como deus existe apenas em nossas mentes, devemos concluir que deus é uma ilusão como outra qualquer e além disto, não podemos empiricamente provar deus como fazemos com as ciências naturais e nem digo sobre o mundo imaginário pelo que se revela em nossas consciências já puro fruto da ilusão.
Se não soubermos delimitar o que é a realidade com o que nos enganam não podemos portanto relativizar superlativos entre coisas com o que nos revela pelos sentidos. E como disse anteriormente nossas mentes são falhas e uma mente a qual está sujeita a enganos e ilusões não pode mensurar o que supostamente transcende o espaço-tempo de nossas percepções
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