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Wilfredo
Homo Erectus
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« : 20/04/07 - 01:44:41 »

Filosofia Ateísta
Blog com textos sobre ateísmo e filósofos ateus
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Wilfredo
Homo Erectus
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« #1 : 22/04/07 - 00:48:57 »

Folha de São Paulo - Ilustrada
São Paulo, sábado, 21 de abril de 2007

ANTONIO CICERO

A tese de Ivan Karamazov


Longe de ser o fundamento da ética, a fé em Deus é a condição de relativizar a ética

VOLTA E meia alguém traz novamente à tona a famosa tese de Ivan Karamazov, personagem de Dostoiévski: "Se Deus não existe, tudo é permitido". Acho que muita gente acredita piamente nela e atribui à irreligiosidade da população a constante e inquietante alta dos índices de criminalidade. Será talvez com a intenção de baixar esses índices que os donos ou editores das revistas brasileiras de circulação nacional raramente deixam passar uma semana sem que, ao menos numa das suas revistas, façam propaganda, numa reportagem de capa, da fé e da religiosidade dos brasileiros.

Ora, a tese do personagem de Ivan não resiste a um simples experimento de pensamento. Suponha que me apareça Deus e me ordene matar o meu filho (ou mãe, ou pai, ou irmão, ou amante, ou amigo). Que faria eu? Ponha-se o leitor na minha pele. Não tenho dúvida de que a minha primeira reação -a primeira reação de qualquer pessoa que não tivesse perdido o juízo- seria duvidar do que parecia estar vendo e ouvindo. Eu me beliscaria, para saber se não estava sonhando; suspeitaria estar tendo um surto de loucura, um delírio etc.

Aquilo simplesmente não poderia estar acontecendo. E não poderia estar acontecendo por duas razões: primeiro, porque Deus não costuma aparecer, pelo menos hoje em dia. Quando alguém diz que conversou com Deus -ainda que quem o diga seja o presidente dos Estados Unidos-, suspeita-se imediatamente da sua sanidade mental. De todo modo, eu não obedeceria.

Mas a segunda razão é ainda mais séria. É que, se isso estivesse realmente acontecendo, então Deus me estaria mandando fazer uma coisa má: uma coisa inteiramente, indiscutivelmente, inapelavelmente errada. Ora, não posso contemplar tal hipótese. Logo, isso não poderia estar acontecendo. Eu pensaria antes que, ou não havia ninguém ali, e eu estava simplesmente a delirar, ou havia alguém de fato ali, mas se tratava de um impostor -talvez até de um demônio-, mas não de Deus, pois seria impensável que Deus me mandasse fazer uma coisa errada: e que coisa poderia ser mais errada do que aquela? Em suma, eu não obedeceria.

Mas levemos a coisa ainda mais longe. Suponhamos que, por alguma razão inconcebível, fosse incontornável a evidência de que ali se encontrava Deus. Ouso dizer que, ainda assim, eu não mataria meu filho ou amigo: eu não mataria sequer um estranho. Por quê? Porque seria errado. E seria errado, não por causa dos mandamentos que o próprio Deus decretara, uma vez que, naquele instante, Ele mesmo os estaria revogando, mas simplesmente porque, independentemente de qualquer mandamento, é errado matar uma pessoa. É, portanto, errado matar uma pessoa, ainda que Deus não exista. Logo, ao contrário do que afirma a tese do personagem de Dostoiévski, nem tudo é permitido, ainda que Deus não exista.

O leitor terá sem dúvida lembrado que, na Bíblia (Gn 22), Abraão se encontrou na situação em que me imaginei no experimento de pensamento. Com efeito, Deus pôs Abraão à prova, ordenando-lhe que matasse o seu filho primogênito. Ao contrário de mim (e do leitor que se pôs na minha pele), Abraão se dispôs a obedecer e, quando já havia pegado a faca para sacrificar seu filho, foi impedido por um anjo, enviado por Deus.

Como se sabe, foi sobre esse episódio que Kierkegaard escreveu as páginas impressionantes de "Temor e Tremor". Nelas, ele mostra que, do ponto de vista puramente ético, não se justificaria a prontidão de Abraão. Só a fé -superior, segundo Kierkegaard, à ética, por constituir uma relação individual e absoluta com Deus- justifica a atitude de Abraão. Desse modo, graças à religião, a esfera da ética é relativizada pela da fé.

Sendo assim, devemos inverter a tese de Ivan Karamazov: não só não é verdade que, se Deus não existe, tudo é permitido -já que, como vimos, não é permitido matar-, mas, ao contrário, é se Deus existir que tudo é permitido.

Longe de ser o fundamento da ética, a fé em Deus é a condição de relativizar e, no limite, negar a ética. Isso lembra as palavras do físico norte-americano Steven Weinberg, detentor do Prêmio Nobel de Física: "Com ou sem religião, as pessoas bem-intencionadas farão o bem e as pessoas mal-intencionadas farão o mal; mas, para que as pessoas bem-intencionadas façam o mal, é preciso religião".


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2104200732.htm
Adriano
Homo Habilis
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: 51


Sam Harris


« #2 : 01/05/07 - 22:46:25 »

Filosofia Ateísta
Blog com textos sobre ateísmo e filósofos ateus
http://adrianoped.blogspot.com/

Estou contente com o blog, procuro por textos que considero importante para meu entendimento sobre o ateísmo.
Alfredo Bernacchi
Australopithecus
*


: 34


« #3 : 27/04/08 - 09:17:30 »

Definição de Ateu:

O Ateu valoriza o homem acima de tudo. Isso já começa a fazer a diferença. Acreditar em si mesmo é muito bom. Muuuuiiito bom!... Muito saudável, muito produtivo e até psicologicamente mais vantajoso.
Seu sentido apurado de justiça, seu estado de amor puro e desinteressado, sua capacidade de trilhar o bem e livrar-se do mal, por sua própria iniciativa, livra-se dos caminhos errados, valoriza a amizade entre os homens, a atenção e o carinho no trato a seus semelhantes que te tratam de forma igual e sempre pronto para bater com a direita em quem lhe atingir a face. Perdoar também é possível, mas não deixar mais a cara na reta é obrigatório.

O Ateu é o único responsável pelos seus atos, planta o seu dia de amanhã, obedece as leis (2.500 aqui no Brasil) e a ordem das coisas naturais, acredita no Universo que está vendo e na natureza imperfeita, como um acontecimento físico-químico casual de infinitas proporções, crê que a morte cerebral encerra a sua passagem na vida e na prole como a sua continuação física e biológica, até que um dia tudo se acabe.

O Ateu não está preso a qualquer dogma ou conceito irreal e abstrato, político ou religioso. O Ateu é livre para raciocinar. O Ateu não tem medo de nada que não seja natural, nem de ninguém que não seja de carne e osso. Sua coragem e autenticidade são bandeiras de conduta, sua personalidade irrefutável, seus princípios de lealdade, caráter e dignidade são rígidos. O Ateu não é falso, não acredita em falsidade, e não convive com ela. O Ateu é verdadeiro, é sábio, é inteligente e honesto.

O Ateu quer estar bem com a sua consciência que não pode ser maculada, porque dela retira o fluido da sua justiça. Se o Ateu errar, vai pedir perdão ao ofendido. Mas, na justiça do Ateu, são dois olhos por um e paga em dobro tudo o que recebe. O Ateu não gosta de ser iludido, enganado ou explorado. O Ateu não é bobo, dificilmente será passado pra trás.”

O Ateu, pelas próprias circunstancias da discriminação, tem maior responsabilidade sobre o seu modo de vida, porque defende uma causa justa e verdadeira. Tem maior valor como cidadão. Ele tanto poder servir como um exemplo bom, como um exemplo ruim. De certa forma isso nada tem a ver com o ser humano e suas características pessoais, trazidas pela criação, crença ou educação. Não tem muito a ver se o cara é bandido ou mocinho. É apenas um cidadão com seus defeitos e qualidades, que não acredita em deuses, mas vive feliz, de cabeça erguida e consciente da sua grandeza.

abçs


VRXHU
Australopithecus
*


: 35


Klebsiella pneumoniae


« #4 : 03/05/08 - 20:21:46 »

favor, não puxem saco dos ateus
Alfredo Bernacchi
Australopithecus
*


: 34


« #5 : 04/09/11 - 21:52:12 »

A minha definição de ateu também evoluiu, como tudo evolui. Foi ampliada e revisada. Um dia tornar-se-á um livro de cabeceira. (quem sabe...)


DEFINIÇÃO DE ATEU

“Deus é, segundo o dicionário, o Ser supremo; o espírito infinito e eterno, criador e preservador do Universo. Ente tríplice e uno, infinitamente perfeito, livre e inteligente, criador e regulador do Universo.
ATEU é uma pessoa que não acredita nisso! É só isso! Não é simples?
Poxa, essa já não é uma boa definição?

Para o Ateu essa crença é pura fantasia e Deus, a melhor invenção comercial do homem que ainda quer ser à imagem e semelhança dele!
Todo o mais, que é peculiar ao ser humano (educação, lealdade, bondade, amizade, amor, respeito às leis e os bons costumes da sociedade), é peculiar ao Ateu, que não acredita em deuses. Nesse aspecto, não tem diferença. Certo?!...
 Errado! Tem diferença sim e muita diferença – PARA MELHOR. Reparem bem:

“O Ateu valoriza o homem acima de tudo. Isso já começa a fazer a diferença. Acreditar em si mesmo é muito bom. Muuuuiiito bom!... Muito saudável, muito produtivo e até psicologicamente mais vantajoso. O homem sem valor é um nada! E o Ateu sabe o seu valor.

Seu sentido apurado de justiça, seu amor comum, puro e desinteressado é magnífico, porque tudo é gerado dentro dele! Ele tem a capacidade de trilhar o bem e livra-se do mal. Por sua própria iniciativa, afasta-se dos caminhos errados, pois sabe que tem ninguém fazendo isso por ele. Valoriza a amizade entre os homens, a atenção e o carinho no trato dos seus semelhantes, que o tratam de forma igual, evidentemente.

Se o ateu for agredido ou insultado, cabe revidar, sempre pronto para bater com a direita em quem lhe atingir a face. Perdoar também é possível, segundo o seu próprio julgamento e as circunstâncias em que isso ocorreu, mas não deixar mais a cara na reta é obrigatório.

O Ateu é o único responsável pelos seus atos, planta o seu dia de amanhã, pois sabe que a vida é uma só e o seu futuro depende dele mesmo. Não obedece mandamentos, mas 65.000 leis, aqui no Brasil, e a ordem natural das coisas, segundo a sociedade em que vive. Acredita no Universo como está vendo, na Natureza imperfeita como um acontecimento físico-químico casual de infinitas proporções, acredita na Ciência que cura doenças e melhora a vida,  na Evolução das espécies, crê que está hoje aqui hoje, por acaso, como parte da Natureza. Não estava aqui ontem e não estará amanhã. Crê que a morte cerebral encerra a sua passagem na vida e na prole como a sua continuação física e biológica, até que um dia tudo se acabe.

O Ateu não está preso a qualquer dogma ou conceito irreal, fantasioso, hipotético e abstrato, político ou religioso. O Ateu é orientado pela lógica e pelo bom senso, nas suas atitudes,  julgamentos e conclusões. Para ele, tudo tem que fazer sentido, ser bem entendido e assimilado e se possível verificado, ou não será aceito como verdade. Isso evita que caia nas muitas armadilhas dos espertos, fique preso a misticismos e esoterismos. A Verdade tem lógica, é clara, límpida, irrefutável, ou é mentira. Agora... Você já imaginou um ateu aceitar que alguém caminhou sobre as águas?! Ressuscitou?! Não dá, certo?

O Ateu previne-se contra lavagem cerebral, não se deixa influenciar por repetições sem fundamento, pelo contrário, quer entender tudo, quer ser livre para raciocinar.  Mente aberta, livre, sem rancores, obsessões, fanatismos, irracionalidades!

O Ateu não tem medo de nada que não seja natural, nem de ninguém que não seja de carne e osso. Sua coragem e autenticidade são bandeiras de conduta, sua personalidade irrefutável, seus princípios de lealdade, caráter e dignidade com a sua sociedade, são rígidos, porque tem uma responsabilidade maior com seus semelhantes.

O Ateu não é falso, não acredita em falsidade, não aceita e não convive com ela. A Verdade é sua bandeira mais alta, por isso o Ateu é verdadeiro e honesto. Ateu é sincero. É franco e leal. Ateu não mente.

O Ateu quer estar bem com a sua consciência que não pode ser maculada, porque dela retira o fluido da sua justiça. Se o Ateu errar, vai pedir perdão ao ofendido. Mas, na justiça do Ateu, são dois olhos por um e assim não guarda rancor. Esquece! Por outro lado, valoriza muito o que fazem por ele e dá reciprocidade em tudo.

O Ateu não gosta de ser iludido, enganado, ludibriado ou explorado. Desconfia sempre. Confere sempre, consegue identificar um vigarista de longe! O Ateu não é bobo, é cético, é precavido, porque desenvolve mais a sua inteligência e raciocínio. Dificilmente será passado pra trás.
Se o ateu deve dar uma esmola a um carente ou não, ele mesmo resolve. Pode preferir ajudar outro mais esforçado contribuindo no seu trabalho, do que manter viciados pedintes nas portas de igrejas. Esse julgamento é dele. De qualquer forma não espera nada de volta. E de uma forma ou de outra, o que ele fizer será direto ao carente. Nunca através de terceiros que irão dividir o seu esforço de ajuda, tirando para si mesmos o maior quinhão.

O Ateu é corajoso, destemido e, para ajudar o seu irmão, não se acovarda diante de nenhuma circunstância. Acredita em si mesmo, mas conhece perfeitamente as suas limitações. Então,  não se expõe, se cuida melhor também, com mais responsabilidade nos seus atos. Sabe que ninguém mais está cuidando dele salvo ele mesmo.

O Ateu não acredita nem convive com coisas mentirosas:  horóscopos, pais de santo, advinhos, bruxarias, runa, tarô, cristais, mandingas, patuás, cartomancia, quiromancia, espiritos, demônios, santos, almas, psicografias, viagem astral, regressão a vidas passadas etc. Acredita na hipnose como algo científico que muita gente usa indevidamente para enganar o próximo.

O Ateu é um estudioso da vida um observador cético de tudo o que se passa à sua volta. A tudo quer entender e saber a explicação, pois foi assim que atingiu seu estágio de sabedoria. Ateu é sábio diante de muitos ingênuos, crédulos e equivocados.

O Ateu é dono do seu próprio juízo. Não tem regras impostas, mas as suas regras, dentro da lei e dos bons costumes. Por isso, a sua responsabilidade é maior, porque dele mesmo parte o julgamento e as conseqüências pelos seus atos. Assim, CONCORDA, com a maioria dos mandamentos bíblicos, porque, pelo seu julgamento, estão certos, nenhuma vantagem nisso porque são dons do homem, retirado de outras fontes, mas não ama nenhum deus sobre todas as coisas, porque está errado. Sobre todas as coisas o ateu ama a justiça, a verdade, a amizade, a lealdade e o seu semelhante, porque isso lhes dará frutos positivos no seu estreito tempo de vida aqui na Terra.

O Ateu tem certeza de que espíritos não existem. Não vive vendo fantasmas, coisas do outro mundo, tendo visões ou escutando coisas estranhas, porque é protegido desses distúrbios pela força da sua mente incrédula. Nenhum mal absorve, vindo de qualquer fonte mística, pois tem o controle das ações e não pode ser psicologicamente atingido porque não acredita nessas coisas. Simples assim.

O Ateu resolve seus problemas, meditando, buscando o melhor do seu raciocínio, as soluções na sua cultura apurada. É um sábio a favor de si mesmo e dos seus semelhantes, mas aceita ajuda, se verdadeira, e assimila o conselho dos seus amigos. O Ateu trata seus semelhantes com carinho, porque sabe das suas dificuldades.

O Ateu, pelas próprias circunstancias da discriminação, tem maior responsabilidade sobre o seu modo de vida, porque defende uma causa justa e verdadeira. Tem maior valor como cidadão, e é sempre alvo de inveja. Ele busca em suas atitudes, servir como um exemplo e, dificilmente, será um exemplo ruim. Sua filosofia nada tem a ver com a formação do ser humano e suas características pessoais trazidas pela criação, crença ou educação, mas dificilmente será um bandido. Apenas um cidadão com defeitos e qualidades, que não acredita em deuses, que são muletas psicológicas, e assim vive feliz de cabeça erguida e consciente da sua grandeza.”

Isso é ser um ateu. Essa é a sua filosofia de vida. E a minha.

Se eu estiver errado, me avisem.
abç

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