
Mas vejamos ao menos a diferença entre ética e moral:
Podemos conceituar ética como parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. Ou seja, ética é o estudo do que é moralmente correto, para nós e para a sociedade em geral.
O primeiro passo para entender o que é ética, é saber diferenciá-la da moral.
Etimologicamente, os termos são bastante semelhantes. Moral vem do latim mos, moris, que significa “maneira de se comportar regulada pelo uso”. Ética vem do grego ethos, que significa costume.
Em sentido bem amplo, a moral é o conjunto das regras de conduta admitidas em determinada época ou por um grupo de homens, ou seja, conjunto de regras que determinam o comportamento dos indivídulos em um grupo social. Dessa maneira, podemos supor que, o homem moral, é aquele que age bem ou mal na medida que acata ou transgride regras do grupo, e, que um grupo vivendo sem regras morais é utópico.
Em um antigo e talvez pouco conhecido livro chamado: O Sol Também se Levanta, escrito por Ernest Hemingway, a moral é descrita da seguinte maneira:
“E nisso consiste a moral: coisas que fazemos e das quais depois sentimos repulsa”.
Esse conceito é bastante amplo e, de certa maneira, inapropriado, pois está se referindo mais a imoralidade. Contudo, não pode ser considerado totalmente vão, pois, podemos dizer com relativa certeza que, a moral é que determina o “julgamento” de nossos pensamentos e atitudes.
Todavia, devemos ter claro que, a moral, não se reduz à herança dos valores recebidos pela tradição. Com nosso amadurecimento intelectual, tendemos a colocar em questão muitos dos valores herdados durante o nosso desenvolvimento.
Com a ampliação do grau de consciência e liberdade, tendemos a ter a livre e consciênte aceitação das normas, fazendo com que se tornem verdadeiros preceitos regendo nosso comportamento pessoal e social.
Se aceitarmos unicamente o caráter social da moral, corremos o risco de privilegiar apenas os valores dados, sem discutir ou refletir sua justificativa, tornando-nos pessoas de vivência moral empobrecida, exageradas na formalismo e moralmente alienadas.
O determinismo, como crença de que a maneira como os acontecimentos ocorrem está fixada de antemão, por algum plano sobrenatural de Deus ou pelas leis da natureza, vai de encontro com a moral social na medida em que, as regras morais já estariam pré-determinadas.
Por outro lado, se valorizarmos apenas a questão pessoal da moral, colocando todo e qualquer preceito moral em questão, corremos o risco de alcançarmos o amoralismo, ou seja, a ausência de moral. Tal ato, tráz conseqüências desastrosas para o próximo, na medida em que todos os nossos atos de alguma forma afetam o próximo.
Augusto Cury, um proeminente psiquiatra e destacável autor, em seu romance “O Futuro da Humanidade” nos revela um pensamento importante para refletirmos nessa questão.
O jovem personagem Marco Polo cria a idéia do “Princípio da co-responsabilidade”, que de forma sintetizada, significaria que os atos de uma pessoa podem afetar, em algum nível e maneira, todo o planeta.
Portanto, na moral, devem estar em equilíbrio a moral social e pessoal.
E, uma vida autenticamente moral não se resume a um ato moral, mas sim, a repetição e continuidade do agir segundo os valores morais estabelecidos em seu contexto.
A moral deve ser um hábito cultivado por todos.
Já a ética, busca refletir sobre os sistemas morais elaborados pelos homens, buscando compreender a fundamentação das normas e interdições próprias a cada sistema moral.