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Página 6 de 9 Porém, depois de alguns bons momentos, parece que o filme volta a se perder. Outros chavões altamente questionáveis são ditos por J.Z. Knight: "A única forma de estar bem consigo mesmo não é cuidando do corpo, mas sim da mente". Um lugar-comum ingênuo e tendencioso. Afinal, é evidente que somos parte do que o nosso corpo (fisicamente) é. Inclusive, é estranho notar que essa constatação é vista algumas vezes no decorrer do longa. E continua: "No momento que estamos totalmente envolvidos em uma experiência, perdemos a noção de quem somos. Perdemos a noção do tempo. Aquilo que estamos vendo é a única coisa real. Todos já tiveram essa experiência quando puseram na cabeça que queriam muito algo". Embora essa construção faça sentido, ela nada tem a ver com a frase que vem a seguir pra concluir o pensamento: "Isso é a física quântica em ação, é a manifestação da realidade". Não só não há relação entre esses eventos, como não parecer existir um ponto a se chegar. "Eu sou muito mais do que penso. E posso ser muito mais do que isso. Posso influenciar meu ambiente, as pessoas, o próprio espaço, posso influenciar o futuro. Sou responsável por todas essas coisas. Não estou separado do que me cerca. Somos parte de um todo. E estamos conectados a tudo. Eu não estou sozinho". Afinal, que tipo de evasivas autocentradas são essas? Parecem voltadas a crianças com menos de 10 anos de idade, ou tiradas de livros como Quem mexeu no meu queijo?. Não há nada que se extraia dessas supostas idéias, pois são frases de efeito que nem mesmo teriam como se desenvolver. Partes delas são bem óbvias (“posso influenciar as coisas” ou “não estou sozinho”), e outras são altamente questionáveis (“sou mais do que penso” ou “estamos conectados a tudo”). J.Z. Knight segue com um pensamento que mesmo uma criança indagadora seria indiferente: "Estamos aqui para fazer algo da vida". Estaria ela sugerindo que essa idéia pode revolucionar o planeta? Daí segue uma avalanche de disparates: “O cérebro não sabe a diferença entre o que vê e o que se lembra”; "Acredito que nosso propósito aqui seja desenvolvermos nossas intenções e aprendermos a ser criadores efetivos"; "Estou tirando esse tempo para criar meu dia, e assim estou afetando o campo quântico"; "A mecânica quântica permite que o intangível fenômeno da liberdade seja incorporado à natureza humana"; "Reconhecer o ser quântico e o fato de que temos escolhas, reconhecer a mente. Quando mudarmos a forma de vermos as coisas, estaremos iluminados". E a coisa parece ir piorando cada vez mais: "somos nós que criamos o que chamamos de realidade a partir de poder da intangibilidade" ou “tudo são possibilidades subconscientes”. E ainda: "Toda emoção é impressa holograficamente em nossas células". Segundo o Dicionário Houaiss, holografia é: “método de gravação de imagens ópticas tridimensionais na forma de hologramas, obtida através de radiação laser”. Ao que tudo indica, essa última passagem do filme realmente não faz qualquer sentido, mesmo desconsiderando sua evidente pretensão moralista. |