Os Frágeis Alicerces Da Monogamia PDF E-mail
Escrito por Delerue   
01-Abr-2004
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Os Frágeis Alicerces Da Monogamia
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Segundo o dicionário Houaiss, monogamia significa: regime ou costume em que é imposto ao homem ou à mulher ter apenas um cônjuge, enquanto se mantiver vigente o seu casamento [ou qualquer tipo de relacionamento que envolva o desejo sexual].

Os primeiros relatos de monogamia que se tem na História remetem ao antigo Egito, cerca de 900 a.C. Segundo os arqueólogos, naquela antiga civilização as uniões já eram instituições formais, como mostram diversas obras de arte daquele povo. Havia contratos de casamento, onde já eram estabelecidos os direitos da esposa em caso de divórcio ou viuvez. Segundo o professor de História Danilo José Figueiredo, “apesar de a monogamia ser a regra, o Faraó, e apenas ele, estava livre para se casar com quantas mulheres quisesse. Essas mulheres eram distribuídas em três categorias de importância: concubinas, Esposas Secundárias e a Grande Mulher do Rei. Qualquer mulher que o Faraó desejasse (...) poderia ser uma Concubina. Essas esposas terciárias habitavam o harém do Faraó e eram verdadeiras escravas sexuais do Semi-Deus. Estavam sempre bem limpas e cuidadas, estando à disposição do Faraó para saciar seus impulsos sexuais”.

 

Na antiga Grécia predominava um machismo não muito diferente. Mulheres, crianças e escravos eram propriedade dos homens. A importância da mulher na sociedade grega era tão insignificante que nem mesmo em seu noivado – quase sempre contra sua vontade – ela podia comparecer. E logo após o casamento, os homens, no intuito de evitar o adultério de suas esposas, adquiriam cães ferozes e/ou eunucos (homens castrados que tinham como única função vigiar a esposa de seu patrão). Em Esparta, na mesma época, a poligamia era uma prática comum e socialmente aceitável, onde homens podiam ter várias mulheres ou até mesmo dividirem uma única.

 

No Império Romano o casamento funcionava apenas como um meio para manutenção da família. A idéia era de que à esposa cabia apenas a função de procriadora. Assim, o prazer erótico (ou o desfrute sensual) ficava reservado às amantes, transformadas em concubinas e aceitas pela sociedade. A palavra matrimonium era usada para definir o papel da mulher casada, ou seja, o de ser mãe. Em contraposição, patrimonium estabelecia o papel que cabia ao homem, que era o de gerir os bens.

 

Percebe-se que, ao contrário do que se possa pensar, a monogamia não foi fruto do amor individual. Na obra A ideologia alemã, Marxs e Engels afirmam que “os gregos proclamavam abertamente que os únicos objetivos da monogamia eram a preponderância do homem na família e a procriação de filhos que só pudessem ser seus para deles herdarem. Quanto ao mais, o casamento era para eles uma carga, um dever para com os deuses, o Estado e seus antepassados, dever que estavam obrigados a cumprir”. Os autores observam ainda que “a monogamia não aparece na história, portanto, como uma reconciliação entre o homem e a mulher e, menos ainda, como forma mais elevada de matrimônio. Pelo contrário, ela surge sob a forma de escravização de um sexo pelo outro, como proclamação de um conflito entre sexos”.


Atualizado em ( 31-Mar-2008 )
 
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