Os Frágeis Alicerces Da Monogamia PDF E-mail
Escrito por Delerue   
01-Abr-2004
Índice do Artigo
Os Frágeis Alicerces Da Monogamia
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9
Página 10
Página 11
Página 12

 

obrigação, podem estar traindo o parceiro. Segundo ele, isso ocorre toda vez que uma relação é mantida sem amor, mas apenas por conveniência econômica e/ou social. Não fica difícil, pois, admitir que a traição está primeiramente na falsificação do sentimento, e não nos atos de cada um.

 

Quanto ao fato de os homens terem uma maior propensão a não seguir a monogamia – apesar de comumente pregá-la –, isso se deve principalmente a dois fatores, um histórico e outro biológico. O homem era quem saia de casa para caçar, era ele quem tinha o instinto de busca, e, por conseguinte, era quem conhecia mais o lado de fora de seu habitat. A mulher, ao contrário, estava restrita a um espaço pequeno, e nada de novo havia para ser explorado. Daí, certamente, a tendência maior das mulheres à inércia de seus relacionamentos com os homens. Segundo Barash e Lipton, “o fato de praticamente não ocorrer monogamia na natureza (e de os machos serem tão volúveis e vorazes em seus apetites sexuais) pode ser explicado por uma contabilidade evolutiva. Para a natureza o esperma é infinitamente mais barato que óvulos, ou seja, um macho normal de qualquer espécie pode produzir milhares de espermatozóides todos os dias e está sempre à disposição para novos intercursos sexuais, enquanto as fêmeas ovulam bem menos e — em caso de fecundação — têm que arcar com um grande número de responsabilidades, que os pesquisadores costumam qualificar com a expressão ‘investimento parental’, extremamente mais acentuada nas fêmeas”.

 

Um detalhe importante a ser lembrado é o fato de que os homens têm maior facilidade para sentirem atração e desejo sexual com o visual (uma mulher de saia e decote caminhando pela rua, por exemplo), ao passo que as mulheres têm sua sensibilidade mais voltada para o tato. O etologista Boris Cyrulnik explica a origem deste comportamento: “As meninas evoluem inicialmente em um universo auditivo, com a palavra, a música; já os meninos, num ambiente preferentemente visual. A associação desse universo visual com a secreção da testosterona facilita a passagem ao ato erótico e explica a audácia dos rapazes. As mulheres só conhecem esse desenvolvimento biológico por volta dos quarenta anos, quando seus hormônios, as foliculinas, enfraquecem e a manifestação da testosterona se torna mais marcante. Só então a mulher adulta pode ter acesso ao universo visual, adotando a conduta dos rapazes”. Ademais, é muito mais fácil e comum ver pessoas do que tocá-las. Não é de se estranhar então que o homem tenda a sentir desejo sexual consideravelmente mais vezes do que a mulher. E ao contrário de um toque – muito mais sutil e íntimo –, o visual é conhecido por ter uma conotação sexual cada vez mais explícita.

 

Aliado a tudo isso, há um outro fator biológico que explicitamente diferencia o potencial reprodutivo entre machos e fêmeas. O que um único homem pode fazer, por exemplo, com dez mulheres, em termos de reprodução, é o inverso do que uma única mulher pode fazer com dez homens. O macho, nesse aspecto, tem um instinto que tende mais à poligamia por uma questão prática reprodutiva, que é o instinto predominante entre todos os seres vivos. Já as fêmeas, devido à sua limitação reprodutiva e seu “investimento parental” muito mais acentuado, tendem mais por serem objetos de disputa. Mas isso não quer dizer que elas sejam necessariamente monogâmicas. Segundo o biólogo Tim Birkhead, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, “as fêmeas da maioria das espécies – do gafanhoto ao chimpanzé – acasalam com vários machos. Entre os bonobos – os primatas mais parecidos com o homem – mais da metade da prole de uma mãe é composta de filhos


Atualizado em ( 31-Mar-2008 )
 
RSS 2.0