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Página 5 de 12 ela também inexiste no mundo prático do parceiro “traído”, caso ele tome conhecimento. Conclui-se então que ela não possui necessariamente um peso prático, mas simplesmente ideológico. Isso é confirmado ao se observar que o monógamo tende sempre a justificar sua posição. Dificilmente se encontra um monógamo admitindo que sua escolha é basicamente uma questão de gosto, ou seja, não possui qualquer explicação ou razão aparente. Com uma visão bem crítica a respeito dessa posição, Regina Lins diz que “a única coisa que importa numa relação é a própria relação, os dois estarem juntos porque gostam da companhia um do outro e fazerem sexo porque sentem prazer. Todas as restrições impostas e aceitas com naturalidade ameaçam muito mais a relação do que a infidelidade”. Já Mazzini contesta a posição monogâmica alegando que “podemos ter vários amigos, mas não nos permitimos ter vários amantes. Um pai e uma mãe podem ter vários filhos e amar a todos, não igualmente, mas a cada um de forma diferente, ou seja, há espaço para todos. Portanto, o fato de se desejar ter uma relação com outra pessoa, e eventualmente realizar este desejo, não significa que se tenha deixado de amar ou se esteja insatisfeito com o parceiro, significa apenas que uma pessoa só, por melhor companheira que seja, pode não ser capaz de preencher todas as necessidades afetivas. Um relacionamento eventual com outra pessoa não prejudica [necessariamente] a relação principal, pelo contrário, pode até ajudar na manutenção e melhoria da mesma, uma vez que cada um deixa de sentir o outro como um carcereiro. E não há nada de errado (a não ser devido a um tabu) em ter outros relacionamentos eventuais, sem que isto afete a relação estável com um parceiro com o qual se escolheu partilhar os demais aspectos da vida, inclusive a maternidade/paternidade”. É unânime entre quem a adota monogamia: numa situação hipotética, onde é vivido o melhor ano da vida de um monógamo, graças a um amor até então utópico, onde o parceiro proporciona atenção, dedicação, carinho, prazer e momentos únicos que beiram a perfeição; tudo isso deixa de ter seu valor se no fim desse ano o monógamo fica sabendo que seu parceiro manteve nesse período casos paralelos. Esse momento especial vivido e sentido se esvai graças a uma idéia que, ao que tudo indica, beira a insanidade. Numa recente pesquisa sobre o casamento ideal, realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e coordenada pela antropóloga Miriam Goldenberg, foi constatado que a esmagadora maioria de homens e mulheres considera a fidelidade mais importante do que o companheirismo, sinceridade e carinho, por exemplo. As justificativas dadas por essas pessoas tendem quase sempre a uma falácia circular, ou seja, demonstra que a conclusão é apenas um outro modo de expressar uma das premissas. É importante ressaltar os inúmeros relacionamentos que se desgastam, ou até mesmo deixam de existir, quando um dos parceiros se sente “traído”. A quebra da monogamia, aos olhares do monógamo, se apresenta como algo gravíssimo e imperdoável. Não é raro ouvir quem admita tolerar tudo (ou quase tudo) num relacionamento, menos a “traição”. Eis aí uma demonstração da tentativa de cumprir, de forma inquestionável, o amor romântico. A princípio, é comum imaginar que esta posição tenha algum tipo de embasamento ou justificativa – ainda mais considerando a convicção com que é propalada. E como é possível notar, a monogamia raramente é afirmada como apenas uma preferência, sem grandes pretensões para qualquer tipo de explicação ou razão, como acontece com as
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