Os Frágeis Alicerces Da Monogamia PDF E-mail
Escrito por Delerue   
01-Abr-2004
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Os Frágeis Alicerces Da Monogamia
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escolhas por uma dada cor, comida ou cheiro, por exemplo. Sendo assim, ela é uma posição ideológica, necessitando, portanto, de uma base argumentativa.

 

Muitos podem justificar essa posição alegando que a mentira por si só já é motivo para invalidar a "traição". Você gostaria de saber que foi enganado? Confiaria em alguém que já mentiu para você? Uma mentira agradável para você é melhor do que uma verdade cruel? Eis certamente algumas das questões levantadas durante a contra-argumentação do monógamo. E aqui entra inclusive a ética, tornando as questões então ainda mais importantes e delicadas. Mas é preciso salientar dois pontos:

 

1- Por que mentir? Na verdade, a chamada “traição” só passa a ser uma mentira quando se pré-estabelece um relacionamento monogâmico. Então não há sentido em se mentir quando é possível deixar tudo de forma bem clara e honesta, ou seja, não propondo a monogamia.

 

2- Na prática, o que é a mentira? Quando se diz "vou te pagar 40", mas se paga apenas 30, essa mentira tem um peso prático, ou seja, ela é percebida, independente da mesma ser verbalizada ou não. Ou quando se diz "volto às 7:00", mas na realidade se volta às 10, essa mentira, mais uma vez, tem um valor prático e não depende de sua afirmação, pois por si só já é percebida. Que peso prático teria a "traição" se sua existência fosse desconhecida? A resposta é óbvia: nenhum.

 

Lembrando ainda que a mentira pode surgir em função do medo de uma provável repreensão por parte do parceiro monógamo. Essa repreensão certamente ocorre na falta de respeito à individualidade. Pelo o que parece, os monógamos necessitam invadir todo o universo do parceiro, impedindo, inclusive, que o mesmo tenha seus próprios momentos, idéias, gostos e atitudes fora da relação; e isso incluiria, é claro, a poligamia. Será mesmo que essa compulsão por saber, controlar, impor e ser egoísta é algo necessário e admirável? “Se eu estou num momento de monogamia, tudo bem. Mas jamais me passaria pela cabeça exigir o mesmo dela. Eu sou eu. Ela é ela. Não me vejo no direito de dizer a ela como ela deve se comportar. Se ela sentir a necessidade de ter outros relacionamentos, acho muito saudável que ela os tenha”, sugere abertamente o terapeuta Roberto Locatelli. “Se tenho marido e transo com outra pessoa, isso não diz respeito a ele e vice-versa. Casamento não é confessionário. Uma relação extraconjugal é um exercício de liberdade e pode ser benéfica à medida que liberta as pessoas. Se uma das partes se reprime em consideração ao cônjuge, essa opção traz muito mais prejuízo aos dois, já que o outro passa a ser um devedor. Qualquer coisa que ele fizer será cobrado por um desejo recolhido que nem sabe que existiu”, diz Regina Lins numa recente entrevista dada à revista Cláudia.

 

Apesar de o rompimento do contrato de fidelidade não gerar nenhuma mudança inerente, o monógamo costumar enfatizar a seguinte questão: você gostaria que alguém mentisse para você? Essa pergunta gera automaticamente uma contra-pergunta: qual seria a influência prática dessa mentira? Sim, é claro que todos tendem a preferir a verdade. Mas no caso se escolhe a verdade pela verdade apenas, ou a verdade por um motivo? Por que a verdade?


Atualizado em ( 31-Mar-2008 )
 
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