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Página 7 de 12 Certamente buscamos a verdade para não sermos enganados, ou seja, manipulados e prejudicados de alguma forma. Se a mentira não provoca nenhum tipo de dano (mesmo a longo prazo), então a verdade em si entra mais como uma escolha baseada em fé, já que não possui argumentos válidos que a defenda. Ademais, é reconhecido que algumas mentiras podem ser muito mais benéficas do que prejudiciais, como, por exemplo, a existência de Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa e dos gigantes. Ou até mesmo histórias lendárias contadas de forma pouco realista e mais fantasiosa, com o intuito de dar mais sabor e encanto ao prosaico cotidiano, como sugerem genialmente filmes como Don Juan de Marco e Peixe Grande, por exemplo. No artigo Sexo, mentiras e traição, publicado na Revista, do jornal O Globo, o sexólogo Amaury Mendes Júnior defende que antes de fazer uma confissão, a pessoa que traiu deve refletir sobre as causas da traição e as conseqüências que aquela verdade terá no relacionamento. Segundo ele, se o caso foi sem importância, se os vínculos da relação não tiveram sido abalados, é melhor que o outro não saiba da infidelidade. Contudo, o monógamo costumar fugir de uma questão-chave: omitir é mentir? Trata-se certamente de um beco sem saída, ainda mais considerando que a omissão, nesse caso, é uma prática unânime. Se ele disser que não, estará assumindo que revelar os desejos e impulsos pode ter péssimas conseqüências para a relação. Mas se ele afirmar que sim, estará entrando em contradição com o próprio argumento, já que o ataque à mentira é a principal base argumentativa do monógamo. Em suma, nenhuma das duas respostas consegue se sustentar, apenas demonstrando a fragilidade da monogamia como posição ideológica. “A monogamia é uma postura instintiva”, muitos alegam. Mas ao olharmos para a natureza e para a História percebe-se que ocorre exatamente o oposto. A natureza visa a disseminação da vida, tendo logicamente a monogamia muito mais como um obstáculo do que como aliada. E a História nos retrata as origens da monogamia apenas como um resumo de machismo e praticidade econômica/familiar. Até mesmo em nível estatístico, a poligamia sempre prevaleceu, em qualquer época ou lugar. Outro argumento muito difundido é o do amor auto-suficiente: “quando amamos alguém de verdade, esse alguém já nos basta”. Segundo Barash, “o mais poderoso mito que envolve a monogamia é aquele que diz que, ao encontrarmos o amor das nossas vidas, nos dedicaríamos inteiramente a ele. A biologia mostra que há um lado irracional e animal no comportamento humano”. Regina Lins pensa que “essa mesquinharia afetiva se desenvolveu a partir da crença de que somente através da relação amorosa estável com uma única pessoa é que vamos nos sentir completos e livres da sensação de desamparo. Não é à toa que exigimos que o outro seja tudo para nós e nos esforçamos para ser tudo para ele, mesmo à custa do empobrecimento da nossa própria vida (...). Podemos amar [pessoas] com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente. Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. A questão é que nos cobramos a rapidamente fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos”. Existem ainda aqueles que, depois de muito refletirem a respeitam do assunto, optam pelo argumento que sugere uma influência sócio-cultural. Provavelmente, trata-se do
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