Os Frágeis Alicerces Da Monogamia PDF E-mail
Escrito por Delerue   
01-Abr-2004
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Os Frágeis Alicerces Da Monogamia
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argumento mais pertinente que o monógamo expõe. O seu grande problema é a tendência a um apelo à ignorância. É inegável o fato de que uma pessoa é parte de sua época e sociedade. Mesmo estando um pouco à frente (ou atrás) de seu tempo, todos são, de alguma forma, parte dele. Mas isso não quer dizer que as idéias defendidas sejam unicamente apoiadas e influenciadas pelo pensamento daquela época/sociedade. Mesmo porque, ao defender uma idéia – no caso a monogamia –, é de se esperar argumentos que a sustente. O que não deve ocorrer é apoiar todo o argumento numa entidade externa a si, como numa tentativa de se ver livre de qualquer objeção ou crítica. Agir assim seria admitir que o meio tem um poder e influência imutáveis, assumindo dessa forma uma completa falta de senso crítico. A grosso modo, seria como dizer que se ouve hip-hop porque é o que mais toca no rádio. Shakespeare, ao ouvir tal argumento, certamente diria que “as circunstâncias e o ambiente têm influência sobre nós, mas somos responsáveis por nós mesmos”.

 

Muitos podem argumentar que na vida moderna as características animais/instintivas não possuem mais sentido, como sugere uma das defesas mais clássicas: “o que diferencia os homens dos outros animais é justamente a sua capacidade de raciocinar, de não agir apenas instintivamente”. Mas não é tão simples assim. As heranças genéticas que o ser humano carrega possuem um poder de atuação muito elevado. Somos, em parte, muito regidos por instintos. E somente para citar alguns: as tantas fobias (escuro, altura, locais fechados etc.), fome, desejo sexual, proteção aos filhos, medo do desconhecido, entre muitos outros. Curioso é reparar que todos eles têm como regra básica a preservação e disseminação da vida.

 

“Ter vontade de trair, todo mundo tem. Assim como temos vontade de matar ou de pegar algo que não nos pertence. Para isso temos nossa consciência”. Eis certamente o argumento mais falacioso em defesa da monogamia. Começa admitindo que o impulso de “trair” é unânime, mas logo depois, por falta de um argumento concreto e auto-suficiente, sugere, de saída, uma analogia, que tende a um apelo à ignorância. Ao contrário de um homicídio e/ou de um roubo, o adultério não denigre em nada a sociedade. Como já explicado acima, a chamada “traição” não possui (obrigatoriamente) um peso prático, o que difere de forma gritante de um assassinato, por exemplo. Por fim, o argumento esquece de justificar o motivo pelo qual deve ser evitada a poligamia.

 

“Ainda não evoluímos o suficiente para sermos monogâmicos”, seria, pelo o que parece, a última (e desesperada) argumentação daquele que defende a monogamia. Primeiramente, trata-se de uma mistura (ou confusão) entre conceitos científicos e preceitos morais. O que podemos caracterizá-la como uma espécie de apelação (ou ingenuidade?). Em seguida, carece de um referencial o qual proponha que o ‘aprimoramento’ do indivíduo (moral, social etc.) tende a levá-lo à monogamia. Por fim, quem defende esse argumento parece esquecer de explicar e provar que (por ser monógamo) é mais “evoluído” que os demais.

 

O exemplo do melhor ano vivido pelo monógamo, citado mais acima, embora teórico, representa o comportamento dele na prática. Ou seja, o adepto da monogamia dá menos ênfase ao momento em si (quando está com seu parceiro), e mais importância a um ideal irrelevante em termos práticos e sem nenhuma base argumentativa que se sustente. Chega a ponto de invalidar toda uma relação, que no seu decorrer foi o melhor momento de


Atualizado em ( 31-Mar-2008 )
 
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